O final de ano já chegou e não são apenas as festas que colocam um sorriso no rosto dos trabalhadores e servidores do município e Estado, o benefício do ‘13° salário’, muitas vezes, é mais aguardado do que qualquer Papai Noel. Os motivos são vários, pagar contas, viajar, comprar presentes, ir para festas, mas os especialistas alertam que programação e consciência são a chave para usufruir da renda extra.

Responsabilidade financeira é o que não falta para Kelly dos Santos Pereira, de 35 anos, que utiliza o dinheiro extra para pagar contas e quitar dívidas, “aliás, brasileiro trabalha para pagar dívida”, brincou. Atuando no regime CLT, a recepcionista já recebeu a primeira parcela do benefício e aguarda o pagamento do restante no dia 20 deste mês. O destino do dinheiro? Esse já foi traçado.

“Usei a primeira parcela para pagar água, luz e aluguel. Agora a segunda parcela vou utilizar para pagar a compra do mês, que sempre pago no mês seguinte”, explicou Kelly. Outro que utilizou o benefício, ou parte dele, para quitar as dívidas foi Jean Carlos Lahatea, de 36 anos.

Trabalhando como vendedor em loja, Jean também recebe o benefício como previsto no regime CLT, ou seja, possibilitando a divisão em duas parcelas, com a primeira obrigatória até o final de novembro. Ele comenta ter utilizado a primeira parte para quitar dívidas de água e luz.

Já a segunda parcela será utilizada para diversos outros assuntos. Jean pretende que o valor seja suficiente para comprar presentes de natal, comida para as festas de final de ano, um bom presente para a mãe, além de deixar uma quantia para ajudar no pagamento do IPTU e IPVA.

Cuidado! Dinheiro extra pode se tornar problema

Todos sabemos que o 13° salário é uma ‘mão na roda’ do trabalhador brasileiro e pode ser o que faltava para tirar diversas famílias ou nomes do vermelho. Para a economista Andreia Saragoça, esse pensamento acaba sendo esquecido por muitos no momento em que o dinheiro ‘cai’ na conta, e a solução se torna um problema.

A economista explica que o benefício foi criado com dois principais objetivos: fomentar o comércio e ajudar nos pagamentos de contas de impostos cobrados já no início do ano — como IPTU e IPVA. “Então, é para isso que devemos utilizar”, comentou. Para ela, o principal fato para o dinheiro render é organização.

“A primeira coisa é deixar de lado as contas mentais”, que, segundo ela, é aquela organização dos recebimentos e gastos feita apenas na cabeça, sem colocar no papel. “Por exemplo, se a pessoa vai receber um salário mínimo no 13°, ela não pode contar com isso e deixar na cabeça, vão ser aplicados alguns descontos, ela precisa pegar o extrato dela e anotar o valor exato que recebeu”, explicou.

Para a economista, anotar os ganhos e gastos é essencial, pois a partir daí é possível direcionar onde o dinheiro vai ser gasto. “Comece quitando as dívidas, depois procure os pagamentos à vista com desconto, por exemplo, um IPTU a vista com 20% de desconto”, disse. “Coloca literalmente no papel para você saber quanto receber nesse final de ano e quanto vai gastar”, complementou.

Andreia não coloca o pagamento de impostos como essencial, e disse que a decisão deve ser tomada por cada pessoa. “Você precisa adequar para a sua realidade”, disse. Para explicar, Andreia utilizou a si mesma como exemplo, “eu e meu marido gostamos de viajar então guardamos para a viagem, mas não ficamos gastando com carro ou reforma de casa”.

“O ideal é se programar e mais importante, não acreditar que com o 13° dá para fazer tudo”, finalizou.

Como calcular meu 13°?

O cálculo do décimo terceiro salário é feito da seguinte forma: divide-se o salário integral do trabalhador por doze e multiplica-se o resultado pelo número de meses trabalhados, ou seja, você irá dividir seu salário por 12 e então multiplicar o resultado pelo número de meses que você trabalhou.

Em regra simples, se você completa o ano todo na empresa, deverá receber basicamente o mesmo valor do seu salário.

As horas extras, adicionais noturno e de insalubridade e comissões adicionais também entram no cálculo da gratificação. Se o trabalhador tiver mais de 15 (quinze) faltas não justificadas em 01 (um) mês de trabalho ele deixa de ter direito ao 1/12 avos relativos àquele mês.

Exemplo 01:

  • Empregado admitido em 17 de julho de 2012 com salário de R$ 1.200,00 sem variáveis (hora extra, adicional noturno, etc.).
  • Cálculo: 1200 / 12 (meses do ano) x 06 (meses trabalhados) = R$ 600,00.

Exemplo 02:

  • Empregado admitido em 18 de julho de 2012 com salário de R$ 1.200,00 sem variáveis.
  • Cálculo: 1200 / 12 (meses do ano) x 05 (meses trabalhados) = R$ 500,00