Cotidiano

Campo Grande tem 20 milhões de 'mosquitos soldados' contra a dengue em mais de 30 bairros

Método Wolbachia visa reduzir as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti: dengue, zika e chikungunya

Gabriel Maymone Publicado em 21/10/2021, às 07h59

Projeto para combater a dengue iniciará a 3ª fase na próxima semana
Projeto para combater a dengue iniciará a 3ª fase na próxima semana - Marcos Ermínio / Midiamax

O Método Wolbachia, que consiste em soltar mosquitos combatentes do Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya, chegou à segunda fase em Campo Grande com cerca de 20 milhões de 'guerreiros' espalhados por mais de 30 bairros. O resultado da 2ª fase do estudo foi divulgado na noite de quarta-feira (20).

A iniciativa pode ser levada para cidades do interior de Mato Grosso do Sul, segundo informou o secretário estadual de saúde, Geraldo Resende. “Estamos entusiasmados com os resultados deste projeto, perto de completar um marco histórico, com um ano da Biofábrica. Assim, queremos evoluir e expandir esta iniciativa para outras cidades do Estado”.

Segundo o gestor da WMP/Fiocruz no Brasil, Gabriel Sylvestre, o wolbito — como é chamado o mosquito — se estabeleceu bem em Campo Grande. “Após a soltura, a gente espera que o wolbito se estabeleça, cruze e tenha filhotes com a Wolbachia. Assim, constatamos que há bairros com excelentes resultados com índice de 60%. Isto significa que temos uma sustentabilidade em campo, fator responsável pelo sucesso do projeto. O engajamento da população em relação ao projeto também foi muito positivo”.

Wolbitos em Campo Grande

Então, estima-se que quase 20 milhões de wolbitos tenham sido soltos em mais de 30 bairros de Campo Grande. “Na primeira fase, foram 10 milhões de mosquitos liberados e, na segunda fase, estamos perto de completar nove milhões. É importante ressaltar, que eles não foram liberados tudo de uma vez. Isto é fruto de cinco meses de trabalho intenso. Uma vez por semana os agentes de saúde liberam entre 100 e 150 mosquitos por 16 a 20 semanas. Cada fase do projeto compreende sete mil pontos de soltura”.

Para marcar o início da terceira fase, na próxima terça-feira (26), deve acontecer a soltura simbólica do wolbito em frente à Secretaria de Estado de Saúde. “Este ato se incorpora à programação da nova Campanha Contra a Dengue que será intensificada a partir de novembro e que se estende até 2022. Iniciamos, esta semana, as articulações para o desenvolvimento de ações preventivas ao enfrentamento da Dengue, Zika e Chikungunya, além da Febre-amarela”, pontua o assessor militar na SES, Coronel Marcelo Fraiha.

O que é o método?

O Método Wolbachia é resultado da descoberta do WMP de que o mosquito Aedes aegypti, quando contém a bactéria Wolbachia, tem sua capacidade reduzida na transmissão de doenças.

Campo Grande foi escolhida por ser uma cidade de médio porte e que vinha sofrendo com a alta incidência de dengue. A Capital foi escolhida no Centro-Oeste para mostrar que o projeto pode funcionar em diversos biomas do Brasil.

O projeto consiste no engajamento da população e depois entra a fase de liberação dos mosquitos por determinado período, cerca de 16 semanas. Esses mosquitos vão se cruzando na natureza e, com o passar do tempo, haverá uma grande porcentagem do mosquito naquela localidade com a Wolbachia. Com isso, espera-se ter uma redução das doenças, protegendo a população.

A Wolbachia é uma bactéria intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti. Quando presente neste mosquito, ela impede que os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre-amarela se desenvolvam dentro do mosquito, contribuindo para redução destas doenças. Não há modificação genética nem no mosquito, nem na bactéria.

Jornal Midiamax