Cotidiano

Após protesto, Prefeitura de Bodoquena flexibiliza decreto e libera turismo parcialmente

Atrativos de Bodoquena poderão reabrir com até 40% da capacidade de público; comerciantes acertaram abrandamento das regras com prefeito.

Humberto Marques Publicado em 22/03/2021, às 17h37

Empresários fizeram ato em frente à Prefeitura de Bodoquena. (Foto: Fala Povo/WhatsApp)
Empresários fizeram ato em frente à Prefeitura de Bodoquena. (Foto: Fala Povo/WhatsApp) - Empresários fizeram ato em frente à Prefeitura de Bodoquena. (Foto: Fala Povo/WhatsApp)

A Prefeitura de Bodoquena anunciou nesta segunda-feira (22) a flexibilização de decreto que havia sido baixado na sexta (19), endurecendo as regras de enfrentamento à pandemia de coronavírus. A medida é resultado de protestos de empresários que, nesta manhã, foram à frente do Paço Municipal e conseguiram a realização de 2 reuniões para tratar do abrandamento das regras.

Conforme noticiado pelo Jornal Midiamax, a gestão do prefeito Kazuto Horii (PSDB) decidiu apertar as regras de enfrentamento à pandemia de Covid-19 na esteira das medidas anunciadas pela Prefeitura de Campo Grande na quinta-feira (18), prevendo a antecipação de feriados municipais até 2022 nesta semana, a fim de reduzir a circulação de pessoas e impor regras para conter o coronavírus.

Horii demonstrou preocupação com o “feriadão” em Campo Grande, já que, com praticamente 9 dias livres, muitos campo-grandenses poderiam ir para o interior e ampliar os níveis de contaminação pela Covid-19, preocupação manifestada por outros prefeitos do Estado. Assim, na tarde de sexta-feira, ele assinou medida que fechou atrativos turísticos e diversas atividades de comércios e serviços.

Contudo, a medida foi tomada sem diálogo com o setor empresarial, que nesta segunda-feira foi para a frente da prefeitura. Conforme a responsável por um atrativo turístico de Bodoquena, os comerciantes reivindicavam o abrandamento das medidas, sendo contra o fechamento total.

Protesto resultou em 2 reuniões e afrouxamento de decreto em Bodoquena

Durante a manifestação, representantes da prefeitura aceitaram receber um representante de cada setor da economia de Bodoquena, a fim de discutir possíveis mudanças. “Foi feita uma reunião com transmissão ao vivo, onde parte dos representantes expos as questões da pauta sobre o fechamento da cidade, cobrando um novo posicionamento do prefeito”, disse.

Como resultado, uma segunda reunião foi feita durante a tarde, reunindo representantes do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, “para deliberar novas considerações”. Como resultado, foram flexibilizadas diferentes medidas. Os atrativos de ecoturismo, por exemplo, poderão reabrir mediante lotação máxima de 40% de sua capacidade. “Já é uma vitória e tanto, ficamos felizes com a decisão”, comemorou a empresária.

À reportagem, Kazuto Horii confirmou que serão feitas “algumas modificações com flexibilização no decreto”. “Vamos permitir a reabertura com algumas restrições. O decreto vai ser publicado amanhã [terça-feira, 23], mas já está tudo acertado com o comércio”, disse.

Entre as restrições que continuam, está a proibição de consumo de bebidas alcoólicas em quaisquer estabelecimentos. Só será possível comprar os produtos para consumo em casa. Os estabelecimentos de turismo vão funcionar a 40% de sua capacidade, sendo obrigados a fixar placas à vista para fiscalizar.

O mesmo percentual deve ser adotado por restaurantes, que devem primar pelo distanciamento social. As igrejas, por sua vez, poderão realizar cultos mediante distanciamento social, higienização das mãos dos fiéis e exigência do uso de máscara, bem como devem encerrar os cultos em horário anterior às 20h, quando começa o toque de recolher –que segue até as 5h, como apregoado pelo Governo do Estado.

Medida foi resultado da falta de receptividade da população, diz prefeito

Ainda sobre as regras estaduais, o prefeito reforçou que elas continuarão a ser seguidas em Bodoquena –como os horários especiais nos finais de semana. Sobre o aparente recuo, ele afirma que a medida aparentemente unilateral foi resultado da falta de receptividade da população em relação às medidas de restrição anteriores.

“Tantas vezes tentei conscientizar as pessoas de que, se cada estabelecimento cumprisse com os protocolos de biossegurança, não precisaria fazer nada. Iríamos conseguir evitar aglomeração, o contato, e acaba resolvendo o problema com a Covid”, disse. “Só que, como Bodoquena é pequena e nossa fiscalização é precária, dizem que não se controla e deixam como está. Acaba virando bagunça, um não faz porque o outro não fez”.

Desta vez, salientou Horii, ao determinar o fechamento, o próprio comércio se disponibilizou a seguir os protocolos de biossegurança. “Era o que eu queria desde sempre. Chegamos em um consenso. É a última chance para controlarmos a pandemia”.

A preocupação com um possível “êxodo” de campo-grandenses durante o restante do feriado improvisado, salientou o prefeito, continua. Contudo, dois fatores aliviam a pressão: a perspectiva de que o feriado de sexta-feira (25), que seria a antecipação do 11 de outubro (aniversário de Mato Grosso do Sul, feriado estadual e que depende de ação do Executivo de Mato Grosso do Sul), não saia do papel –decreto nesse sentido ainda não foi publicado–, e o compromisso do empresariado em, desta vez, seguir as regras.

“Se sexta não for feriado dá uma aliviada porque não será feriado prolongado. E os atrativos turísticos fizeram o compromisso de que só vão aceitar 40% de lotação. Se for assim, não há problema, porque chegando à capacidade eles não vão aceitar mais reservas, não vai haver lugar. Confio que os atrativos façam sua parte”.

Desde o início da pandemia, Bodoquena confirmou 150 casos de coronavírus, com 3 óbitos entre seus 7.838 habitantes. No Estado, a Covid-19 já infectou 202.831 pessoas e causou 3.854 mortos, sendo 81.751 casos e 1.688 mortos em Campo Grande.

Jornal Midiamax