Cotidiano

Amigos fortalecem negócios na pandemia, mas comércio local enfrenta ‘choro’ por preços em Campo Grande

Comerciantes afirmam que clientes desconhecidos, muitas vezes, pensam apenas no preço

Gabriel Neves Publicado em 19/04/2021, às 07h47

Comerciantes afirmam que "parceira" entre amigos ocorre independente dos preços.
Comerciantes afirmam que "parceira" entre amigos ocorre independente dos preços. - (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)

“Amigos, amigos, negócios à parte” se tornou uma das frases mais famosas quando o assunto é compra, vendas ou contratação de serviços. Apesar disso, muitos ainda contam com a participação de amigos no andamento de seu negócio, na verdade o problema está, quando o cliente não é amigo.

Após a pandemia, muitos negócios tiveram que se adaptar em Campo Grande, e com o desemprego, muitos decidiram iniciar no mundo do empreendedorismo. Para essas pessoas, comerciantes de bairros, a grande dificuldade está em vender para aqueles que não são amigos.

Gesana Soares é proprietária de uma empresa que vende batas recheadas, agora caminhando com as próprias pernas, ela trabalhou por cerca de um ano com o irmão, no Aero Rancho e conta que a venda aos conhecidos ajudou a segurar as contas durante a pandemia.

“Na época, ele morava em um prédio e a grande maioria das pessoas que moravam lá compravam dele, sem questionar muito o preço ou coisas assim”, disse Gesana. Segundo ela era possível perceber que os vizinhos davam prioridade a ela por conhecer os vendedores.

Daniel Duarte, proprietário de funilaria no bairro Moreninhas, conta que não tem problemas para convencer seus amigos de procurarem seus serviços, mas sim nos desconhecidos.

“Aqui a galera é bem competitiva, então sempre vem aquele cliente dizendo que em tal lugar é mais barato, se não pode fazer um desconto. Eu não sofro tanto com isso porque meu preço está na média, mas o pessoal não quer saber muito se você é do bairro ou mora perto, eles vão arás do mais barato”, comentou Daniel.

O empresário conta que prefere dar prioridade ao comércio do bairro, talvez por possuir uma empresa local, ele afirma ter consciência que o dinheiro investido em sua região pode voltar para ele, tanto de forma indireta, como também ao conseguir novos clientes.

E quando o assunto é competitividade, Cladineia da Silva entende bem. A comerciante trabalha com produção e entrega de doces, antes da pandemia contava com o atendimento local, com uma unidade física, que precisou ser fechada após da pandemia.

“Agora eu trabalho só com encomenda, as pessoas que são conhecidas compram e apoiam, mas sempre aparecem aqueles clientes dizendo que em outro lugar é mais barato”, comentou.

Claudineia explica que possui um grupo no WhatsApp com outras pessoas que trabalham na mesma áerea, e todas sempre se incentivam para não se submeterem aos baixos preços cobrados por alguns.

“Pelo o que eu percebo, aqui nas moreninhas, as pessoas não são muito unidas em dar prioridade ao comércio local, eles vão atrás do preço mesmo e se em algum lugar for mais barato, não importa onde, elas compram lá”, comentou a comerciante.

A fuga do comércio local

De acordo com o presidente da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), Adelaido Vila, a população precisa entender a importância de fortalecer o comércio local. “Se você compra do seu bairro ou da sua cidade, você está gerando empregos, fomentando a economia”, disse.

“Quando você faz isso (comprar de outras cidades), você tem um custo e esse custo é o desemprego, às vezes um cara que está desempregado faz uma compra de fora achando que está economizando, mas na verdade ele perdendo a chance de conseguir fazer aparecer um novo emprego”, explicou Adelaido.

Solução nas redes sociais

Uma solução encontrada pelos comerciantes para competir com os grandes sites de vendas e divulgações, foi utilizar os grupos do Facebook para divulgar seus comércios, sejam grupos que abrangem todo um Estado, cidade, ou até mesmo um bairro.

Não é preciso muito esforço para encontrar esses grupos ou suas publicações. Em um grupo denominado de ‘Aero Rancho e região’, com 4,6 mil membros, existem centenas de publicações de pessoas divulgando seus trabalhos dos mais diversos nichos.

Após passar por um anuncio de almoços, já podemos encontrar sobre venda de cosméticos e procedimentos estéticos. Vendas de produtos mais caros, como carros, também não ficam de fora.

Em outro grupo, voltado para moradores e comerciantes do Bairro Moreninhas, a situação não é muito diferente. São anúncios de vendas de usados, de alugueis, serviços de manutenção e diversos outros, onde a pessoa consegue comprar algo ou contratar alguém com apenas algumas mensagens.

Jornal Midiamax