Cotidiano

Seca de mananciais prejudica cinco rios e quebra de ciclo atinge fauna de MS

Período de estiagem e seca em Mato Grosso do Sul tem castigado o meio ambiente do Estado. Rios, fauna, flora e cidades tem sentido os impactos do tempo seco que dura meses e até atingiu temperaturas desérticas. Ao todo, 20 cidades abastecidas pela bacia do rio Paraguai correm risco de desabastecimento. Segundo o Coronel Fábio […]

Fábio Oruê Publicado em 20/10/2020, às 13h15 - Atualizado às 15h32

Nível negativo do Rio Paraguai foi constatado pela régua da Marinha, em Ladário. (Imagem: Ilustrativa)
Nível negativo do Rio Paraguai foi constatado pela régua da Marinha, em Ladário. (Imagem: Ilustrativa) - Nível negativo do Rio Paraguai foi constatado pela régua da Marinha, em Ladário. (Imagem: Ilustrativa)

Período de estiagem e seca em Mato Grosso do Sul tem castigado o meio ambiente do Estado. Rios, fauna, flora e cidades tem sentido os impactos do tempo seco que dura meses e até atingiu temperaturas desérticas.

Ao todo, 20 cidades abastecidas pela bacia do rio Paraguai correm risco de desabastecimento. Segundo o Coronel Fábio Catarinelli, da Defesa Civil, esta bacia é a mais prejudicada pela seca. 

“Nunca vi o rio Paraguai tão baixo assim […] Para se ter uma ideia, a régua [no rio Paraguai] em Ladário está com – 31 centímetros”, contou ele ao Jornal Midiamax

O rio tem atingido recordes históricos de níveis neste ano, chegando a atingir a menor altura dos últimos 47 anos em MS.

Conforme o veterinário Diego Viana, do IHP (Instituto Homem Pantaneiro), flora e principalmente da fauna do Pantanal necessitam de um ciclo de cheias e secas do bioma. 

“Precisam inundar várias áreas, inclusive inundar áreas que posteriormente quando secam vão dar frutos, vai ter a pastagem verde para os animais comerem”, explicou ele. “Com a falta de água esse ciclo não acontece”, finalizou Viana. 

As chuvas dos últimos dias não supriram a escassez hídrica provocada por “aquela que foi a maior seca dos últimos 22 anos”, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). 

Por conta do risco de problemas no abastecimento, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) decretou por 60 dias situação de emergência no Estado.

Cidades atingidas

Catarinelli informou que em alguns municípios é feita a captação de água de forma superficial e por isso o nível do rio precisa ser alto. 

As cidades onde a captação é feita direta do rio Paraguai são: Corumbá, Ladário e Porto Murtinho. Já os que compõem a bacia são: Miranda, Jardim e Águas de Miranda, que usam o rio Miranda; Anastácio, que é abastecida pelo rio Taquarussu; Aquidauana pelo rio Aquidauana; e Guia Lopes da Laguna pelo rio Santo Antônio.

O coronel também disse que em cidades com captação de poços também apresentam podem preocupar. São elas: Dourados, Maracaju, Sidrolândia, Caarapó, Rio Verde de Mato Grosso, Amambai, Camapuã, Água Clara, Bonito, Mundo Novo e Terenos. 

Conforme dados da ANA (Agência Nacional de Águas), o Rio Miranda em Águas de Miranda teve uma redução de 23 cm e 40% de redução de vazão nos últimos 90 dias, enquanto o Rio Aquidauana apresentou redução de 50 cm em nível e 50% de redução de vazão no mesmo período. 

De acordo com o que informou a assessoria da Sanesul, que é responsável pela captação de água nos municípios, algumas ações estão sendo feitas para evitar o desabastecimento da população.

Entre elas está o monitoramento constante dos mananciais e informações operacionais. Bem como a implantação de estruturas de contingência como, bombas flutuantes para caso a situação venha a se agravar (a exemplo do que foi realizado em Corumbá). 

Além disso implantou novas bombas de recalque de água tratada, em Anastácio, e disponibilizou caminhões pipa em locais com intermitência, conforme a demanda.

O coronel da Defesa Civil enfatizou que não há racionamento de águas e sim medidas, como o decreto, para evitar que chegue neste ponto. “Não é para a população entrar em pânico porque não estamos em situação de racionamento de água, mas temos que usar de forma racional”, recomendou. 

A situação dos rios só deve se normalizar quando MS tiver chuvas significativas. 

Jornal Midiamax