Cotidiano

Para quem vive no bairro com mais infectados pelo coronavírus, máscara não tem sido aliada

O Bairro Aero Rancho, na região sudoeste de Campo Grande, é o mais populoso e traz consigo um alto número de pacientes que estão com Covid-19. Os moradores, sabendo do perigo da disseminação do coronavírus, acreditam que o episódio esteja acontecendo pela falta de educação, respeito ao próximo e a consciência para utilizar a máscara. […]

Vinícius Costa Publicado em 06/08/2020, às 07h13 - Atualizado às 13h26

Enquanto o uso de máscara é obrigatório, algumas pessoas no Aero Rancho ignoram o decreto. (Foto: Leonardo de França, Midiamax)
Enquanto o uso de máscara é obrigatório, algumas pessoas no Aero Rancho ignoram o decreto. (Foto: Leonardo de França, Midiamax) - Enquanto o uso de máscara é obrigatório, algumas pessoas no Aero Rancho ignoram o decreto. (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

O Bairro Aero Rancho, na região sudoeste de Campo Grande, é o mais populoso e traz consigo um alto número de pacientes que estão com Covid-19. Os moradores, sabendo do perigo da disseminação do coronavírus, acreditam que o episódio esteja acontecendo pela falta de educação, respeito ao próximo e a consciência para utilizar a máscara.

O Jornal Midiamax esteve nas ruas do bairro nesta semana e conseguiu identificar um número considerável de pessoas que não estavam respeitando o decreto municipal sobre o uso obrigatório de máscara.

Na avenida Rachel de Queiroz, uma das mais movimentadas do bairro, Edileusa Rodrigues, de 50 anos é proprietária de um salão de beleza e reconhece a importância de oferecer o que for preciso para impedir que a doença se espalhe pelo seu estabelecimento. Porém, ela acredita que as ‘pessoas cansaram e não estão se cuidando da maneira que podem’.

Para quem vive no bairro com mais infectados pelo coronavírus, máscara não tem sido aliada
Edileusa faz de tudo para evitar que o vírus se dissemine em seu estabelecimento. (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

“Dentro do meu estabelecimento ofereço o que posso. Lavo a capa e a tesoura a cada cliente atendido. Para ser sincera, as pessoas que conheço foram infectadas e são pessoas que frequentam a igreja, local fechado e sem álcool para todo mundo”, afirmou a cabeleireira.

Edileusa acrescenta que cinco pessoas conhecidas que frequentavam a igreja acabaram se contaminando e uma delas, acabou falecendo em decorrência da doença.

Conveniência aberta e respeito ao próximo

A tatuadora, Dhulia Evelin, de 24 anos aponta que as conveniências tem um grande peso para o aumento de casos de coronavírus no bairro. A moradora da região critica a falta de respeito das pessoas ao entrarem em estabelecimentos sem as máscaras.

“Todo o lugar que eu vou, as pessoas estão sem máscara e isso é de qualquer idade. Tem muita conveniência que está lotada de gente. Apoio fechar as conveniências”, explica a tatuadora.

O proprietário de uma barbearia, Abel Guimarães, de 20 anos aponta o desrespeito frente ao decreto municipal como um dos principais fatores para que o bairro lidere o número de casos ativos do coronavírus. No seu estabelecimento, o cliente que chegar sem máscara é atendido, mas com o pedido para que use o máscara para evitar o contágio.

“Acredito que muitos não respeitam, não é todo mundo que reconhece [uso da máscara]. Usamos porque sabemos que é necessário, mas alguns não usam, acredito que não tem consciência. As pessoas vem na barbearia sem máscara, mas eu peço para colocar”, declarou.

Falta educação

Já para o aposentado Elizeu Reginaldo, de 62 anos e considerado uma das pessoas do grupo de risco, a falta de educação nas pessoas é o principal ponto para que o vírus acabe se disseminando mais rápido e isso coloque o bairro como um dos líderes de casos.

“É o bairro mais populoso da cidade, onde a população é grande e as pessoas não se cuidam. De cada dez pessoas na rua, dois usam máscara. Isso que faz disseminar o vírus”, contou o motorista de carreta.

Para quem vive no bairro com mais infectados pelo coronavírus, máscara não tem sido aliada
Estabelecimento lembra do decreto sobre o uso obrigatório de máscara. (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Nas ruas do bairro, Elizeu disse que teve que sair para comprar uma torneira, mas reafirma que o necessário é que as pessoas fiquem em casa, relembrando o pedido das autoridades para que o isolamento social aumente e ajude no controle da doença. “Se todo mundo fizesse a sua parte o país seria outro. Falta educação e respeitar o próximo”.

Aglomerações

O bairro apareceu diversas vezes nas notícias nas últimas semanas nas fiscalizações após o toque de recolher e por desrespeito aos decretos que impedem aglomerações.

Em um dos casos, uma igreja com mais de 100 fiéis realizava culto. A maior parte das pessoas estava sem as máscaras. O Fácil do bairro também estava lotado nesta semana, após o Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) suspender atendimentos. A realdade era de muita gente e pouco distanciamento.

Imagens enviadas pelos leitores para o WhatsApp, mostram a aglomeração. Segundo o leitor, a agência que faz impressões dentro do Fácil não está funcionando e não há aviso no local. “A pessoa entra e se aglomera no prático, depois sai e se aglomera no cyber na frente do prático, está tudo desorganizado”, relatou um leitor.

Na última atualização feita pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), Campo Grande havia registrado 245 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, elevando para 11.458 casos da doença. A capital sul-mato-grossense é que detém o maior número de mortes no Estado: são 152 no total. A ocupação de leitos também atinge níveis críticos segundo o boletim, que aponta 92% dos leitos ocupados.

Jornal Midiamax