Cotidiano

‘Não tinha onde sentar, de tão lotado’, diz funcionário de call center fechado

Os relatos de trabalhadores da BTCC Conexão Cliente da Rua Santa Bárbara, no bairro Vila Rica, colhidos pelo Jornal Midiamax, revelam que as condições a que os funcionários foram submetidos remetem a filmes de terror. O local foi interditado por volta de meio dia, por desrespeitar as normas do decreto municipal que, entre outros fatores, […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 21/03/2020, às 12h39 - Atualizado às 13h41

Foto: Marcos Ermínio | Midiamax
Foto: Marcos Ermínio | Midiamax - Foto: Marcos Ermínio | Midiamax

Os relatos de trabalhadores da BTCC Conexão Cliente da Rua Santa Bárbara, no bairro Vila Rica, colhidos pelo Jornal Midiamax, revelam que as condições a que os funcionários foram submetidos remetem a filmes de terror.

O local foi interditado por volta de meio dia, por desrespeitar as normas do decreto municipal que, entre outros fatores, proíbe aglomerações acima de 20 pessoas. Na última sexta-feira (20), a unidade localizada na Rua Rui Barbosa, no Centro de Campo Grande, também foi fechada.

'Não tinha onde sentar, de tão lotado', diz funcionário de call center fechado
Foto: Marcos Ermínio | Midiamax

“Fui trabalhar hoje por ameaça de demissão por justa causa. Quando cheguei, não tinha onde trabalhar de tão lotado. Mandaram todos os funcionários da BTCC da Rui Barbosa para a unidade da Santa Bárbara. Todo mundo se sentindo coagido pela gerência, e cobrados a bater meta”, traz um dos depoimentos colhidos pela reportagem. “As vans vieram lotadas, teve gente que foi a pé, andou 1h até o terminal para não se submeter à contaminação”, completa.

Outra funcionária, que também não será identificada, destacou que muitos foram assediados para que comparecessem ao trabalho, mesmo com a existência de decreto municipal que também suspendia o transporte coletivo na cidade. Gestores e gerentes das unidades, inclusive, postaram em redes sociais imagens sobre a importância dos call centers neste momento – segundo os relatos, como forma de intimidar funcionários.

“Preocupante a situação, porque tenho uma filha pequena e uma mãe idosa, que são obrigadas a ficarem em casa. Mas do que adianta elas ficarem se eu tenhyo que trabalhar?”

Reincidência

Após várias denúncias, a unidade da BTCC Conexão Cliente no Centro de Campo Grande, também foi fechada por tempo indeterminado e funcionários foram orientados a deixarem o local. A empresa não chegou a ser lacrada e se o call center apresentasse um plano de trabalho que respeite o decreto municipal, poderia voltar a operar normalmente.

Todavia, na manhã deste sábado (21), denúncias feitas ao poder público revelaram, novamente, desrespeito ao decreto 14.199, publicado na última semana – segundo ele, o funcionamento de call centers e similares deverá ser feito com no máximo 20 operadores trabalhando simultaneamente, desde que ainda seja mantida distância mínima de dois metros um do outro.

Avalanche de denúncias

Empresas de call center de Campo Grande relataram ao Jornal Midiamaxdescaso na contenção do Covid-19 e com os funcionários já na manhã deste sábado (21), da mesma forma do ocorrido na sexta-feira.

“Na empresa Telemont, que fica no mesmo prédio da Rui Barbosa, não estão liberando os funcionários e nem reduzindo. Ontem, quando a polícia estava na BTCC, eles começaram a tirar computadores e mandar para a empresa da rua Tapajós. E ligou para os funcionários que iam entrar ir para outro. Assim, ia reduzir a quantidade de pessoas aqui. Hoje é plantão e tem menos gente porque é fim de semana, mas ainda assim ultrapassa a quantidade de pessoas: deve ter uns 40 funcionários”.

Além disso, funcionários também reclamaram da falta de higienização do ambiente. “Esta péssima a situação. O banheiro está sujo e sem sabonete. Apenas tiram o lixo dos cestos, mas o chão é imundo”, aponta outro funcionários que não quis se identificar.

Jornal Midiamax