Cotidiano

Indígena de 93 anos é a quarta vítima de coronovírus da maior reserva de MS

O terena Guilherme Felipe Valério, 93 anos, é a quarta vítima de coronavírus da Reserva Indígena Federal de Mato Grosso do Sul em Dourados. Ele estava internado no HU-UFGD (Hospital da Universidade Federal da Grande Dourados) e faleceu na madrugada de  sexta-feira (21). Guilherme era residente na Aldeia Jaguapiru e fazia parte do grupo Tradição […]

Marcos Morandi Publicado em 22/08/2020, às 07h35 - Atualizado às 08h25

Guilherme era evangelizador da Igreja Presbiteriana Indígena. (Foto: Arquivo familiar)
Guilherme era evangelizador da Igreja Presbiteriana Indígena. (Foto: Arquivo familiar) - Guilherme era evangelizador da Igreja Presbiteriana Indígena. (Foto: Arquivo familiar)

O terena Guilherme Felipe Valério, 93 anos, é a quarta vítima de coronavírus da Reserva Indígena Federal de Mato Grosso do Sul em Dourados. Ele estava internado no HU-UFGD (Hospital da Universidade Federal da Grande Dourados) e faleceu na madrugada de  sexta-feira (21).

Guilherme era residente na Aldeia Jaguapiru e fazia parte do grupo Tradição Terena e também era membro da Igreja Presbiteriana Indígena de Dourados. Segundo informações de pesquisadores, era considerado uma referência na Reserva.

A reportagem apurou que a esposa do ancião também estava internada em estado grave na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do HU. O sepultamento de Guilherme aconteceu na tarde de sexta-feira (21), no cemitério indígena da Aldeia Jaguapiru.

Aprendeu a ler e a escrever na Igreja Evangélica da Missão Americana, na Aldeia Bananal, perto de Aquidauana, local onde nasceu em 25 de junho de 1927. Os pais, que eram evangelistas, foram residir numa aldeia, em Buriti, perto de Sidrolândia e, com 15 anos, estava na Aldeia Ipeg, quando o pai faleceu.

Guilherme viveu na Aldeia Ipeg até 1960. No ano seguinte ganhou um pedaço de terra em Dourados e mudou-se com a família.

Pregador

O ancião era considerado um “grande pregador da Palavra de Deus” e trabalhou como evangelizador da Missão Caiuá. Tinha grande influência em outras comunidades indígenas da região, principalmente nas aleias localizadas em Caarapó e Amambai.

Por necessidade da função, teve que aprender a língua inglesa, para traduzir a comunicação  dos pastores ingleses  com indígenas.

Jornal Midiamax