Cotidiano

‘Desespero e tristeza’ relatam vizinhos de área que foi desocupada no Noroeste

Para vizinhos desocupação foi um momento de muita tristeza, desespero e choro das mães e crianças que moravam na área.

Ana Paula Chuva Publicado em 17/06/2020, às 12h12 - Atualizado às 12h46

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No que sobrou das moradias, uma mãe abraça os filhos para amenizar o medo. (Leonardo de França)

Vizinho a área invadida onde mais de 20 famílias viviam no Jardim Noroeste relataram ao Jornal Midiamax que o momento de desocupação foi de desespero e muita tristeza. O local foi desocupado na última segunda-feira (15), após os moradores assinarem uma notificação de desapropriação.

“Tinha muitas crianças aqui. Muita gente ficou ao relento porque não tinha para onde ir. Foi muito triste’, disse Norma Amarilia, 38 anos.

área desocupada no Noroeste
Vizinhos observavam a remoção. (Leonardo de França)

Na manhã desta quarta-feira (17) equipes da Guarda Civil Municipal e da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) estiveram no local para terminar a remoção de dois barracos.

“Esses dois barracos ficaram porque em um deles tinham crianças escondidas e no outro morava um casal de idoso que pediu prazo e deram 24 horas para saírem”, relatou a vizinha.

Para Aucindo Ramos, 52 anos, também vizinho da área desocupada, não houve resistência dos moradores e isso deixou tudo mais triste. “Foi um momento de desespero com muita mulher e criança chorando. Ninguém resistiu e eles chegaram chegando, nos sentimos como animais. Foi só assinarem o papel e perderam os barracos”, desabafa.

Medo

Norma mora em uma área, também invadida, em frente ao local que abrigava a comunidade Aliança, e já está preparada para quando acontecer com ela.

“A gente viu os vizinhos indo embora e já começamos a desmontar nossos barracos também. Não temos para onde ir, mas gastamos dinheiro que não tínhamos para construir, não dá para perder o pouco que temos”, explica.

“Eu tenho inscrição na Amhasf há 18 anos, todo ano renovo, mas nunca consigo. Não é certo a gente invadir, mas o poder público precisa fazer algo não mandar esse monte de guarda armado como se fossemos bandidos”, completa.

“Não tivemos tempo”

Moradora da região, Camila Salvador, 24 anos, afirma que o termo assinado dava um prazo de 5 dias para saírem do local, mas não aconteceu.

“Fizeram todo mundo assinar, assim que o último assinou começaram a derrubar os barracos. Tinha mulher com criança decolo, vizinha minha precisou sair correndo com os filhos nos braços. Foi desumano o que fizeram”, diz.

área invadida
O que sobrou da remoção de segunda foi retirado nesta quarta. (Leonardo de França)

Relato compartilhado também por Gustavo Augusto, 18 anos. “Falaram que precisávamos procurar a central de atendimento, deram o papel para assinarmos e já foram derrubando. Consegui tirar fogão e cama só. Não conseguimos fazer nada, só olhar. Eu não tenho para onde ir,  peguei dinheiro emprestado para construir  o barraco”, completa.

Desocupação

De acordo com a Semadur, a ação se trata da retirada de invasores de uma área pública conforme previsto no artigo 5º da Lei 2.909 de 28 de Julho de 1992, que instituiu o Código de Policia Administrativa do Município de Campo Grande, dispõe “É vedada a utilização dos logradouros públicos para atividades diversa daquelas permitidas neste código. § 2º – Verificada a invasão de logradouro público, o Executivo Municipal promoverá as medidas cabíveis para por fim a mesma.

Ainda na segunda-feira, equipes da prefeitura fizeram desocupação da área pública no Jardim Noroeste e foram derrubados 22 barracos que estavam desocupados e outros 10 que tinham moradores foram notificados a deixar o local.

Na ocasião o diretor-presidente da Amhasf (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) – antiga Emha, Eneas José de Carvalho Netto, disse à reportagem do Jornal Midiamax que guardas municipais e fiscais da Semadur foram recebidos com hostilidade. “Servidores falaram que invasores estavam com machetes e foices”, declarou.

Jornal Midiamax