Cotidiano

Com retomada gradual do comércio em MS, uso de máscara passa a ser recomendado a todos

Antes do início da pandemia do novo coronavírus, a recomendação do Ministério da Saúde era para que as máscaras cirúrgicas fossem usadas apenas por profissionais de saúde e pessoas com sintomas gripais. Na última quarta-feira (1º), porém, essa postura mudou: o ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) declarou que está preparando um protocolo para orientar o […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 02/04/2020, às 17h20 - Atualizado em 03/04/2020, às 12h35

(Foto ilustravita: Fernando Frazão/Agência Brasil)
(Foto ilustravita: Fernando Frazão/Agência Brasil) - (Foto ilustravita: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Antes do início da pandemia do novo coronavírus, a recomendação do Ministério da Saúde era para que as máscaras cirúrgicas fossem usadas apenas por profissionais de saúde e pessoas com sintomas gripais. Na última quarta-feira (1º), porém, essa postura mudou: o ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) declarou que está preparando um protocolo para orientar o uso de máscaras também para aqueles que não apresentem sintomas da doença.

A principal recomendação do Governo Federal é para que as pessoas se mantenham em quarentena e que saiam de casa apenas para o necessário, como comprar comida e medicamentos. Porém, o que se vê é uma tendência dos Estados e municípios do país para flexibilizar as medidas restritivas adotadas nas últimas semanas. Em Campo Grande, por exemplo, o comércio passará por reabertura gradual ainda neste mês, o que voltará a levar pessoas às ruas.

Com retomada gradual do comércio em MS, uso de máscara passa a ser recomendado a todos
Máscaras passam a ser recomendadas ao sair de casa | Foto: Marcos Ermínio | Jornal Midiamax

Os problemas decorrentes desse retorno gradual à antiga realidade são pelo menos dois: o primeiro é que não há máscaras cirúrgicas suficientes para todas as pessoas – há cerca de um mês elas já não são vistas à venda em farmácias da cidade, por exemplo.

Segundo, e ainda mais importante, já se sabe que pessoas assintomáticas, mas portadoras do coronavírus, espalhem a doença rua a fora – tanto porque estão com pulmões saudáveis (o que impulsiona mais longe as gotículas de saliva, transmissoras do vírus), como porque estas pessoas se censuram menos para conter espirros e tosses.

A propósito, pacientes assintomáticos consistem numa enorme lacuna da estratégia de contenção do coronavírus, e de difícil solução. Somente o exame é capaz de identificar o covid-19 – o que possibilitaria ordem de isolamento e tratamento adequado e precoce da doença. Mas, não há testes para os mais de 200 milhões de brasileiros. Assim, assintomáticos seguem com acesso às ruas, como vetores do coronavírus. É o problema da subnotificação.

O próprio Mandetta já reconheceu que o número de infectados confirmados é bem menor do que a realidade. Com as pessoas nas ruas, portanto, quarentena e endurecimento de restrições seria basicamente chover no molhado. A solução é seguir com as medidas de higienização e de distanciamento social de pelo menos 1,5m. E usar máscaras, seja de que material for. É melhor do que não usar nada.

Na coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, Mandetta orientou o usou de máscaras de TNT (tecido-não-tecido) para pessoas que precisam de alguma proteção no trabalho ou no transporte público e falou que conversou com representantes de indústrias têxteis para que iniciassem a confecção dos equipamentos, que poderiam até ser lavados e reutilizados. Na prática, portanto, o uso de máscaras que protejam boca e nariz por quem precisar sair à rua se tornará fundamental para evitar a propagação do vírus.

Como confeccionar?

Enquanto a indústria têxtil não entra na onda das máscaras laváveis, a colunista da revista Crescer e pediatra Ana Maria Escobar ensina uma forma de improvisar. O material mais indicado, para tanto, são os panos multiuso utilizado em limpeza doméstica, também conhecidos como perfex (aqueles com furinhos).

Vale lembrar que estas máscaras caseiras não atenderão aos critérios técnicos de confecção dos equipamentos. Logo, a eficácia pode ser menor. “Mas podem ajudar, desde que tapem o nariz e a boca e que o rosto não seja tocado pelas mãos durante o uso”, explica a pediatra. Ela também defende que elas sejam jogadas no lixo quando perderem a eficácia, o que ocorre em cerca de duas horas ou quando ficam úmidas.

Confira no vídeo abaixo as orientações da médica para confecção da máscara:

Outro vídeo que também orienta a como fazer uma barreira física:

View this post on Instagram

IMPORTANTE: Lembrem-se que a higienização dessas máscaras deve ser feita da maneira correta, ok? Tenha várias máscaras. Você deve trocá-las após 2 horas. Não toque na máscara durante o uso, não toque em seu rosto, prenda-a às orelhas de modo que fique fica e não precise ficar “ajeitando”. Você só tocará na máscara novamente no momento de retirá-la do rosto. Ao retirar do rosto, ela vai direto para a lavagem. Água + sabão. Depois deixe a máscara de molho em água com hipoclorito (água sanitária) por 20 minutos. A máscara precisa estar bem seca para ser usada novamente, após a lavagem. E higienize muito bem suas mãos após todo esse processo. Se estiver produzido sua própria máscara caseira, da maneira como ensinamos no vídeo, lembre-se: o filtro de café é sempre descartável! Use um novo a cada novo uso da máscara. Por mim. Por você. Pelos seus. Pelos nossos. #masks4all #mascarasparatodos

A post shared by REvivo®️ (@revivoincrivel) on

Jornal Midiamax