Cotidiano

Com medo do coronavírus, carteiro de Campo Grande que morreu em acidente deixou ‘pré-testamento’

Eliovaldo Vargas Costa, de 54 anos, era conhecido pelo jeito alegre e humorado de enfrentar a rotina de trabalho diário, na profissão que gostava e se dedicava há 13 anos. O carteiro morreu atropelado no bairro Guanandi, em Campo Grande, e é velado na tarde desta terça-feira (15). Segundo a sobrinha, Jessica Silva Costa, de […]

Karina Campos Publicado em 15/12/2020, às 14h25 - Atualizado em 16/12/2020, às 08h43

Amigos e familiares se reuniram para se despedir, na Capela Campo Grande. (Foto: Henrique Arakaki)
Amigos e familiares se reuniram para se despedir, na Capela Campo Grande. (Foto: Henrique Arakaki) - Amigos e familiares se reuniram para se despedir, na Capela Campo Grande. (Foto: Henrique Arakaki)

Eliovaldo Vargas Costa, de 54 anos, era conhecido pelo jeito alegre e humorado de enfrentar a rotina de trabalho diário, na profissão que gostava e se dedicava há 13 anos. O carteiro morreu atropelado no bairro Guanandi, em Campo Grande, e é velado na tarde desta terça-feira (15).

Segundo a sobrinha, Jessica Silva Costa, de 26 anos, o tio se antecipou deixando um pré-testamento, pois ele estava com medo de ser infectado por coronavírus durante as entregas, se programando para deixar alguns bens para quem amava, pois não tinha filhos ou era casado.

“Trabalhava com medo, chegou a ficar afastado por três meses por isso, mas nunca medo de muito trabalho ou de aumentar entregas na pandemia”, disse.

Com medo do coronavírus, carteiro de Campo Grande que morreu em acidente deixou 'pré-testamento'
Sobrinha conta que tio era alegria por onde passava. (Foto: Henrique Arakaki)

Ela conta que filha dela era o xodó do tio, mas considerava os colegas de trabalho parte da família, assim como os vizinhos e as sobrinhas.

“Trabalhava com alegria, mas com medo, chegou a ficar afastado por três meses por isso, mas nunca medo de muito trabalho ou de aumentar entregas na pandemia”, disse.

Luzinete da Silva,51, ingressou na empresa há 9 anos, era amiga da família da vítima que todos conheciam como ‘Helinho’. Mesmo afastados por conta do distanciamento social, mantinham contato por redes sociais. “Quando ele chegava tinha diversão, era como parte da família”, explica.

Assim como a colega, Alonso Gomes, de 41 anos, chegou a ser o ‘novato’ na empresa e acolhido pelo amigo. Ele lamenta o fato do carteiro se cuidar tanto para não ser infectado com Covid-19, mas perder a vida em um acidente de trânsito.

Acidente

Com medo do coronavírus, carteiro de Campo Grande que morreu em acidente deixou 'pré-testamento'
Alonso disse que amigo alerta sobre perigo no trânsito. (Foto: Henrique Arakaki)

O carteiro foi atingido por uma carreta enquanto trabalha, no cruzamento da Avenida Manoel da Costa Lima com a Avenida Presidente Ernesto Geisel. Equipes do Corpo de Bombeiros e Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegaram a ser acionadas, mas ele não resistiu e morreu no local.

O motorista da carreta, de 52 anos, disse que descia pela Avenida Manoel da Costa Lima, com intuito de entrar à direita na Ernesto Geisel. Ele relata que enquanto trafegava, viu o funcionário dos Correios atrás, de bicicleta, pelo retrovisor. Ao chegar no cruzamento, o motorista parou por causa do semáforo e, quando o sinal abriu, saiu fazendo conversão à direita, sem notar o carteiro que estava em ponto cego.

Com medo do coronavírus, carteiro de Campo Grande que morreu em acidente deixou 'pré-testamento'
Eliovaldo era apaixonado por viagens e queria conhecer mais uma praia. (Foto: Arquivo Pessoal)
Jornal Midiamax