Cotidiano

#CG121: Na pandemia, casal tira dinheiro do bolso para ajudar famílias carentes

Desenvolver um senso de ajuda ao próximo é uma atitude nobre que exige esforço e muita força de vontade. Impulsionar essa ideia durante uma pandemia, tirando dinheiro do próprio bolso, sem ganhar nada em troca, é um ato de humanidade digno de admiração e não faltam cmapo-grandenses que nos orgulhos com atitudes assim. Para um […]

Ranziel Oliveira Publicado em 24/08/2020, às 08h15 - Atualizado às 12h13

(Criadores do projeto/ Foto: Leonardo de França)
(Criadores do projeto/ Foto: Leonardo de França) - (Criadores do projeto/ Foto: Leonardo de França)

Desenvolver um senso de ajuda ao próximo é uma atitude nobre que exige esforço e muita força de vontade. Impulsionar essa ideia durante uma pandemia, tirando dinheiro do próprio bolso, sem ganhar nada em troca, é um ato de humanidade digno de admiração e não faltam cmapo-grandenses que nos orgulhos com atitudes assim.

Para um casal de moradores do Aero Rancho, bairro mais populoso e com mais casos do coronavírus em Campo Grande, a missão diária é ajudar quem mais precisa, através de cestas básicas ou doação de verduras. E o trabalho que já era árduo, ficou ainda maior com o caos causado pela Covid-19.

O barbeiro Claudionor Ferreira, de 55 anos, desenvolve o projeto Uma Mão Amiga, com a esposa, desde o ano 2005. Diante do atual cenário, ele relata dificuldade para angariar doações e até para entregar as famílias cadastradas. “ Recebemos doações da Igreja católica e de alguns supermercados, mas como a compra deles acabou diminuindo, não sobra muito, buscamos atender a todos, mas as vezes não conseguimos”, disse ele.

#CG121: Na pandemia, casal tira dinheiro do bolso para ajudar famílias carentes
(Claudionor Ferreira, mostrando a lista de cadastrados no projeto/ Foto: Leonardo de França)

Conforme ele, somente nessa pandemia foram entregues 200 sacolões. Além disso, o projeto entrega verduras semanalmente para um total de 160 famílias carentes, distribuídas entre os bairros Aero Rancho, Lageado, Morenão e Jardim Botânico.

“Com a pandemia a dificuldade para ir buscar as doações aumentou, com o dinheiro de dois ou três cortes, consigo colocar gasolina e ir buscar os alimentos, as vezes perdemos, porque não temos condições de ir buscar”, desabafou.

Vontade de Deus

A merendeira e idealizadora do projeto, Cleide Silva, de 47 anos, explica a origem de tanto amor ao próximo. Adotada aos dois anos de idade, ela acompanhava o seu irmão desde pequena, em ações de ajuda as pessoas necessitadas. “Isso nasceu no meu coração é uma forma de fazer o que fizeram comigo”.

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(Cleide Silva em uma ação social/ Foto: Arquivo pessoal)

Com muita dor no coração, ela nos contou uma das maiores dificuldades gerada pelo coronavírus. “A demanda aumentou em quatro vezes, não temos recursos financeiros e não conseguimos chegar em todas as pessoas”, disse ela.

Fora o alimento físico, a iniciativa também busca levar o alimento para alma. Conforme ela disse, antes da pandemia os dois visitavam pessoas acamadas, conversavam, buscavam levar a palavra de deus e tranquilizar aquela pessoa.

Segundo ela, as doações caíram cerca de 40% devido a pandemia. Quando questionado sobre o motivo de não desistir em meio as dificuldades, a merendeira cita o amor a Deus. “As pessoas batem no nosso portão e pedem comida, é o nosso trabalho é isso que Deus quer”.

Jornal Midiamax