Cotidiano

‘Não nego pagar’: moradores pedem ligação de água e energia para deixar clandestinidade

Esperando ligação de água e energia elétrica, 17 famílias que moram em terreno ocupado no Bosque da Saúde, moradia que fica entre a Vila Nasser e a Vila Marli, não veem a hora de abandonar a clandestinidade e poder viver sem irregularidades em Campo Grande. À reportagem do Jornal Midiamax, os moradores disseram que a […]

Mariane Chianezi Publicado em 05/02/2019, às 17h21 - Atualizado em 06/02/2019, às 09h02

Foto: Cleber Rabelo/Jornal Midiamax
Foto: Cleber Rabelo/Jornal Midiamax - Foto: Cleber Rabelo/Jornal Midiamax

Esperando ligação de água e energia elétrica, 17 famílias que moram em terreno ocupado no Bosque da Saúde, moradia que fica entre a Vila Nasser e a Vila Marli, não veem a hora de abandonar a clandestinidade e poder viver sem irregularidades em Campo Grande.

À reportagem do Jornal Midiamax, os moradores disseram que a área foi invadida há sete anos e, desde então, as famílias vivem lá e precisam “apelar” para gatos de energia e ligações irregulares de água para sobreviver. Atualmente, somente duas famílias conseguiram conquistar a regularidade com a Energisa e a Águas Guariroba.

Milton Cesar da Silva, trabalha como depilador e mora há dois anos no local. Ele conta que tem inscrição há mais de 10 anos na Agehab (Agência de Habitação Popular) e EMHA (Agência Municipal de Habitação), porém nunca foi contemplado.

Precisando sair de casa cedida por um familiar, Milton comprou uma residência no local por R$ 2 mil e já estava ciente de que se tratava de uma invasão.

‘Não nego pagar’: moradores pedem ligação de água e energia para deixar clandestinidade
Milton é morador do Bosque da Saúde há dois anos | Foto: Cleber Rabelo

“O que acontece é que, algumas famílias são contempladas [com ligação de água e luz] e outras não. O pessoal da Águas veio aqui e ligou a água em algumas casas. O pessoal está recebendo a conta certinho. Mas o problema é que parou em frente à minha casa e eu não foi contemplado. A luz é o maior problema. A Energisa só vem aqui para arrancar os fios”, contou Milton à reportagem.

Milton relata que ele mesmo faz a ligação clandestina onde mora, pois não tem escolha. “Eu queria pagar uma conta, mas eles falam que para colocar luz aqui, tem que instalar um poste de energia e esse poste nunca veio. Aí quando a Energisa passa por aqui, só arrancam os nossos fios, ou seja, eles furtam os nossos fios e nós furtamos a energia deles”, pontuou.

Dias atrás o depilador correu o risco de sofrer um acidente, pois ele mesmo tentou fazer o ‘gato’ de energia. Milton disse que está ciente dos riscos que corre, mas se não for dessa maneira, ele não consegue ter energia em casa.

‘Não nego pagar’: moradores pedem ligação de água e energia para deixar clandestinidade
Lindaura mora com os quatro filhos na casa | Foto: Cleber Rabelo

Lindaura Olimpia de Jesus, trabalha como diarista, é mãe de 4 filhos e também passa por situação parecida. Ela mora há mais de dois anos no local e contou que sabe que é uma área invadida. Na época em que se mudou, Lindaura pagou R$ 1 mil em uma casa no Bosque da Saúde.

Como a Lindaura recebe muitas doações, os mantimentos que precisam ficar na geladeira acabam estragando. “Eles vêm de repente e cortam os fios, eu abro a geladeira e só encontro a carne estragada, o leite das crianças, as frutas, verduras, tudo estragado. Eu não estou negando pagar uma conta, mas eles precisam colocar um poste e colocar água aqui para gente também”, finalizou.

Posicionamento

A Energisa afirmou que combate aos furtos de energia no estado, pois é uma obrigação regulatória determinada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), pois além de ser crime, pode gerar impacto nas tarifas de clientes regulares. Além disso, oferece riscos à população.

Sobre a ligação regular de energia, a empresa explicou que existem procedimentos para verificar a possibilidade de instalação.

“Conforme a Resolução 414 da Aneel, as distribuidoras de energia só podem regularizar o fornecimento de energia em áreas invadidas com a permissão do poder concedente: Governo, Prefeitura Municipal ou Ministério Público”, disse em nota.

A assessoria de imprensa da Águas Guariroba informou que verificará com a prefeitura a viabilidade dos serviços de acordo com a situação da área no Bosque da Saúde.

*Matéria atualizada às 18h16 para acréscimo de informação

Jornal Midiamax