Cotidiano

Seminário internacional aborda maneiras de preservação do Bioma Pantanal

I Seminário Internacional Pantanal

Diego Alves Publicado em 09/05/2017, às 22h20

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I Seminário Internacional Pantanal

Nesta terça-feira (9), foi realizada, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a abertura do I Seminário Internacional Pantanal, no Plenário Júlio Maia, às 13h30. A proposição é do presidente da Casa de Leis, deputado estadual Junior Mochi (PMDB), e do presidente do Instituto SOS Pantanal, Roberto Kablin. O evento tem continuidade nos dias 10 e 11, em Cuiabá (MT) e Brasília (DF), respectivamente.

Para o presidente Junior Mochi, o Parlamento Estadual participa de um momento importante para a construção de uma política pública para o Meio Ambiente. “A Assembleia Legislativa cumpre o seu papel de protagonista no debate da preservação de nossos recursos ambientais ao sediar a etapa sul-mato-grossense do Seminário Internacional Pantanal. A construção de um modelo sustentável de desenvolvimento, que não abra a mão da participação de todos, passa pelo debate aprofundado de todos os temas, pela decisão política de levar adiante essa proposta, e, principalmente, pela mobilização das consciências de todos os segmentos da comunidade”, declarou.

Robert Kablin, presidente do Instituto SOS Pantanal, explicou quais etapas o Seminário teria em Campo Grande. “Temos o Pantanal ameaçado e hoje estamos aqui para uma troca de experiências, dividas em dois blocos de palestras. Temos três experiências internacionais, o Okavango Delta, na África do Sul, Everglades, na Flórida e Angers, na França. Quero agradecer o governador pela parceria neste trabalho e ao deputado Junior Mochi por ter aberto a Casa de Leis a este diálogo tão precioso”, destacou.

O governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), falou que a opinião dos especialistas é fundamental para a construção de uma política pública para o Pantanal. “Temos que ouvir os pesquisadores, estudar o Código Florestal Brasileiro, ouvir o homem pantaneiro, se reunir com todos os segmentos envolvidos no ecossistema do Pantanal. Precisamos procurar uma solução para proteger o Pantanal a partir dessas experiências do exterior, pois essa é a nossa obrigação”, ressaltou.

Christopher Roche, diretor de Marketing Wilderness Safaris, da África do Sul, foi convidado para falar sobre a experiência no Okawango Delta, em Botswana. “É um complexo de sucesso em ecoturismo, sendo esta atividade parte primordial na economia do país. As savanas em semi-desertos são muito semelhantes à região do Pantanal e há diversos lugares de visita oferecidos aos turistas, em alguns, os animais seguem livres dentro do seu habitat. A proposta para o Brasil é um modelo forte, com um planejamento de vôos em aviões menores que levem os turistas para os lugares já convencionados no Pantanal, e que isso possa agregar todas as atividades econômicas locais, além de alavancar o ecoturismo”, explicou.

Pierre Cyril Renaud, da Universidade de Angers, na França, falou sobre erros e acertos em diferentes regiões semelhantes ao Pantanal. “Em Everglades, na Flórida, foi criado o Parque Nacional de Everglades para proteger um ecossistema frágil. Os Everglades são compostos por terrenos pantanosos e florestas alimentadas por um rio. Os Estados Unidos da América (EUA) tiveram que investir mais de 1 bilhão de dólares para proteger e conservar este bioma. Já na França, em Angers, haviam três tipos de atividade econômica, sendo duas delas o gado de corte e o ecoturismo, só foi conseguida uma solução quando houve uma reunião com vários atores deste conflito e alguém enxergou o elo entre as três atividades, que era o pasto, e a partir do manejo do pasto, agregou valor ao urbano e ao agrário. E essa solução também pode ser achada no Brasil”, revelou.

O consultor da Sigga Consultoria Ambiental de São Paulo, Eduardo Reis Rosa, explicou as planilhas de monitoramento da empresa. “As pesquisas de mapeamento completo da Bacia do Alto Uruguai foram mostram a quantidade de áreas naturais convertidas em uso antrópico e pastagens ao longo dos últimos anos desde 2008. Na última pesquisa, de 2014 a 2016, 2.205 km² de área foram convertidas para uso antrópico, sendo 1.039 km² no Pantanal e o aumento de áreas naturais convertidas em pastagens foi de 1.636km², sendo 1.040km² no Pantanal”, relatou.

O prof. Dr. Fábio de Oliveira Roque, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), enfatizou o quanto podemos contribuir para o Meio Ambiente. “Temos condições, tanto fisica, como tecnicamente para contribuir com o processo da construção de políticas públicas que possam conciliar produção e conservação, integrando resiliência, produção e um arcabouço legal”, considerou.

Encerrando o ciclo de palestras, o diretor executivo do Instituto SOS Pantanal, revelou o motivo da realização do I Seminário Internacional Pantanal. “O Seminário é norteado pela Carta Caiman, assinada pelos governadores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em 2016, que prevê compromissos como rever os plantios de monoculturas no bioma e estabelecer áreas de interesse para o eco negócio. O objetivo aqui foi a discussão de um Pantanal de forma prática para obter bons resultados. Foram trazidas hoje informações e ferramentas para a mobilização de todos, pois nosso intuito é fomentar o diálogo por um Pantanal que seja de todos”, analisou.

Também participaram do evento os deputados Amarildo Cruz (PT), 2º secretário da Casa de Leis, João Grandão (PT), líder do partido, Mara Caseiro (PSDB), 3ª vice-presidente da Assembleia Legislativa e Zé Teixeira (DEM), 1º secretário do Parlamento Estadual.

Jornal Midiamax