Profissionais fazem revezamento por falta de salas 

Problemas na estrutura, falta de pessoal e lotação pioram a situação da saúde, o que levou o Ministério Público Estadual a ingressar com pelo menos 13 ações civis públicas abertas contra a Prefeitura de Campo Grande, sendo que 9 questionam a ausência de pediatras escalados em todos os períodos dos postos de saúde. De acordo com médicos que trabalharam na Prefeitura de Campo Grande, a falta de organização dificulta os atendimentos até mesmo quando há profissionais disponíveis. 

“Hoje existem nove ações do MPE nos questionando sobre o porquê de não termos pediatra durante o dia nas UPAS e CRSs. É uma questão que eu preciso responder a eles e principalmente a sociedade”, explicou o secretário de saúde, Marcelo Vilela. Além da investigação sobre a falta de pediatras, o MPE também instaurou procedimentos para apurar a falta de medicamentos na rede e falhas nos atendimentos. 

– “Tem posto de saúde que tem 5 salas e eles escalam 6 pediatras, aí nós temos que fazer revezamento para conseguir atender”, denunciou um profissional que preferiu não ser identificado. “Nas UPAs  Vila Almeida, Cel. Antonino e Universitário tem cinco salas de pediatria e clínica, quando tem mais que cinco plantonistas, tem que revezar”, completou. 

A situação piorou após o fechamento do PAI (Pronto Atendimento Infantil) em 2015, que prestava assistência médica para crianças 24 horas por dia. À época, a prefeitura garantiu que todas as unidades de saúde iriam dispor de pediatria, sem interrupções, mas nunca cumpriu com a promessa. Prova disso é que apenas uma das seus UPAS Unidades de Pronto Atendimento oferecem a especialidade nos três períodos desta sexta-feira (19). 

Sob a mira do MPE, que determina a disponibilidade de pediatras todos os dias, a prefeitura agora tenta convencer os profissionais a cobrir os ‘buracos’ das unidades. Na noite dessa quinta-feira, pediatras se reuniram com o secretário municipal de saúde, Marcelo Vilela, para “garantir a eficiência dos plantões”. 

Uma das ideias é o remanejamento dos profissionais para unidades referenciais, onde segundo o Marcelo existe condições de ter escalas cheias com atendimento 24 horas. No mês passado, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) anunciou que a aposta da gestão é a centralização dos atendimentos de emergência somente nas UPAS (Unidades de Pronto Atendimento), aposta que implicaria no fechamento dos chamados CRS (Centros Regionais de Saúde) e transformação em unidades básicas de saúde. O secretário de saúde negou que as unidades serão fechadas. 

Agora, os dois lados decidiram criar uma comissão para discutir a reestruturação no atendimento pediátrico. O presidente do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), Flávio Freitas, afirmou que o sindicato irá se articular junto aos profissionais para efetivar essa comissão e chegar a um consenso. A Sesau e os médicos devem ter uma nova reunião na próxima semana.