Cotidiano

Organização genealógica entrega 2,5 milhões de registros civis digitalizados na Capital

Trabalho está em andamento no estado

Tatiana Marin Publicado em 06/06/2017, às 18h52

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Trabalho está em andamento no estado

Em dois anos de trabalho cerca de 2,5 milhões de registros civis de dois cartórios de Campo Grande foram digitalizados pelo FamilySearch, organização sem fins lucrativos que trabalha na preservação e divulgação de registros genealógicos. A entrega simbólica dos arquivos foi feita na manhã desta terça-feira (6) na Câmara de Vereadores, pelo representante da entidade, Mário Silva.

A organização trabalha no Brasil desde 1974 fotografando registros civis de 17 estados e registros de 90 arquivos diocesanos da Igreja Católica. “Digitalizamos registros de cemitérios em várias cidades e registros de imigração em convênio com o Arquivo Nacional e arquivos estaduais. Estamos buscando outros registros de valor genealógico e abertos a quem queira nos dar a oportunidade de preservar estes documentos”, explica Mário Silva.

O FamilySearch, que é mantido por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, preserva documentos históricos desde 1894. O propósito deste trabalho, segundo Mário, “está baseado na doutrina da igreja, segundo a qual as famílias são eternas, para nós os relacionamentos familiares não terminam com a morte. Acreditamos que as famílias foram feitas para viver juntas para sempre. Todos os antepassados e descendentes formariam uma grande árvore familiar”, ensina.

Organização genealógica entrega 2,5 milhões de registros civis digitalizados na Capital

O trabalho, que é resultado de um convênio com a Corregedoria Geral de Justiça, ainda não foi finalizado em Campo Grande. Cópias dos registros foram entregues em diversos HDs ao juiz auxiliar da corregedoria Fernando Paes de Campos na tarde desta segunda-feira (5).

Mario diz que os registros de nascimento, casamento e óbito já foram digitalizados nos dois maiores cartórios da capital. A equipe agora realizará a captura de imagens em cartórios de Corumbá. “As imagens são capturadas dentro do próprio cartório, os livros não saem da vista do  notário. A máquina é instalada lá e lá nós capturamos as imagens, são processadas e uma cópia é entregue a corregedoria, que convoca o notário que faz uma cópia pra ele”, conta Mário.

Vantagens tecnológicas

O representante do FamilySearch diz que a preservação dos registros acaba servindo a outros propósitos, além dos genealógicos. “Houve casos concretos no Brasil e no mundo, de registros que se perderam em enchentes, por exemplo, mas por sorte nós tínhamos passado por lá e os registros foram recuperados graças às nossas imagens”, relata.

Cerca de 600 mil imagens são capturadas por ano através do trabalho de cada câmera. No Brasil há 40 equipamentos fotografando registros, no mundo são mais de 300. O custo de todo este aparato é elevado, segundo Mário, porém não é revelado. “Não é nenhum segredo. Apenas não queremos fazer propaganda do quanto é gasto. Não é algo tão importante como a missão e a mensagem por trás do trabalho”, analisa.

Parcerias

O FamilySearch faz convênios com a Corregedoria de diversos estados a fim de preservar os registros, que contém dados históricos. Em Mato Grosso do Sul o processo de negociação se iniciou há 4 anos.

De acordo com Mário, um dos parceiros mais importantes do FamilySearch é a Igreja Católica, por causa da antiguidade dos registros paroquiais. “O registro civil no Brasil começou com a república (em 1889) e durante muito tempo, muita gente nascia, vivia e morria sem jamais ser registrado, mas levava os filhos para batizar, casava diante do padre. Muitas dessas pessoas, o único registro de passagem dessa criatura pelo mundo são os registros católicos. Então sao muito importantes. Felizmente a Igreja Católica vem cada vez mais se abrindo às nossas ofertas de digitalização. Temos câmeras em 3 dioceses pelo Brasil”, declara.

Mário ressalta a coleção dos cartões de imigração, disponibilizados pelo Arquivo Nacional. “Além de fazerem uma ponte do Brasil com o país de origem do antepassado, no cartão tem uma foto do imigrante. Então, tanto do ponto de vista prático como sentimental é bastante importante”.

Cartões de imigração contém foto do imigrante. (FamilySearch)

O convênio com o Arquivo Nacional vai permitir ainda a digitalização de 90 milhões de documentos de estrangeiros que imigraram para o Brasil. “Estas coleções são ricas pois contém os registros de solicitação de RNE (Registro Nacional de Estrangeiro) e pedidos de naturalização. Os processos, muitas vezes, têm certidões de nascimento emitida no país de origem, e também certidão dos filhos nascidos antes de chegar ao Brasil. Alguns tem fotos também”.

Em alguns dias os registros civis de Campo Grande que foram digitalizados pelo FamilySearch estarão disponíveis para consulta no site www.familysearch.org. Para encontrar a coleção, clique em ‘Pesquisar’ e em seguida escolha ‘Registros’. No mapa, à esquerda, clique na região da América do Sul e na janela que de abrir, escolha Brasil. 

Jornal Midiamax