Cotidiano

Impasse em construção de muro pode deixar sete famílias ‘ilhadas’ na Capital

Acesso para residências é apenas por uma propriedade particular

Ana Paula Chuva Publicado em 14/08/2017, às 20h39

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Acesso para residências é apenas por uma propriedade particular

Um impasse entre suposta proprietária de um terreno particular e moradores de uma área de comodato pode deixar sete famílias sem poder sair ou entrar em suas residências, no Portal Caiobá II, em Campo Grande.

A área de 12.618.50 metros quadrados fica localizada entre as ruas Francisco Antônio de Souza, Mangabá e Leão Zardo, e de acordo com os moradores, uma suposta continuação da Rua Pará.

Para os moradores, o problema maior é a forma como as coisas estão sendo feitas. “Uma mulher veio aqui na quinta-feira da semana passada, se apresentou como Liria, acompanhada de um representante que seria um tal de Sebastião, era umas 21h e pediu para gente assinar uns papeis para a construção do muro. A gente tava sozinha, sem marido, acabou assinando”, contou Eliane de Almeida, 38 anos, supervisora.

“A gente quer o direito de ir e vir. Agora eles vieram aqui, arrancaram meu portão, a árvore que estava na frente de casa e começaram a cavar. Como a gente sai de casa assim? ”, disse Eliane.

Sobre a situação das famílias ser irregular, eles afirmam que possuem os contratos de compra e venda das casas, e que já foram até a prefeitura pedir a regularização. “A gente comprou as casas, tem os contratos. Procuramos a prefeitura que disse que vai regularizar nossa situação. Mas a gente quer poder sair e entrar nas nossas casas”, falou Maykon Jeferson, 33 anos, vigilante.

“Era para ter uma rua aqui. Era para ser a continuação da Rua Pará. A gente não tem outro lugar para poder sair de casa, é só aqui”, complementou.Impasse em construção de muro pode deixar sete famílias 'ilhadas' na Capital

Para o aposentado, Edson Bezerra, 81 anos, o problema maior é a falta de respeito. “O que a gente quer é simplesmente o respeito. Se a área for deles mesmo, eles podem fazer o muro. Mas dá um prazo para gente. A gente não tem recurso. Faz as coisas dessa forma e fica todo mundo preso dentro de suas casas aí não tem condição”, desabafou.

”O nosso pedido é de socorro. Nós estamos agredidos, não podemos nem sair daqui, nem entrar nem nada. Chega aqui uma máquina faz um buraco, quase derruba nossa casa. Puxa vida é um negócio muito chato né”, exclamou.

Área particular

De acordo com a proprietária Liria Segovia Tobias da Silva, a área é dela desde o ano 2000. E que a única coisa que ela quer é construir o muro para que seja liberado o projeto para construção de um condomínio.

Para o corretor de imóveis e representante de Liria, Sebastião Ferreira dos Santos, o comodato é um assunto que não interessa a eles. O que eles querem é construir o muro para aprovação do projeto.

“Essa parte pode ser particular, pode ser da prefeitura. Não nos interessa porque não é dela. A parte dela é essa outra, então se ela tem esse documento dizendo que ela é a legitima proprietária do imóvel, mesmo que eles sejam proprietários legítimos da outra parte, um não pode impedir o outro de construir o muro” explicou.

Segundo, Liria, o esposo dela apenas identificado como Arnaldo, esteve no local antes para avisar sobre a possível construção do muro aos moradores. “Desde o ano passado meu esposo veio e falou que futuramente ia passar o muro”, disse.

Sebastião ressaltou que não é obrigação da proprietária avisar sobre a construção. “Isso aqui não é uma obrigação dela falar pra vocês uns meses antes ou depois. A área é dela. Ninguém pode impedir dela murar. Ninguém. Nem a prefeitura vai chegar aqui e dizer não vai murar. Nem a prefeitura pode fazer isso. Porque a área é particular, a menos que tenha o projeto de passar uma rua por aqui. Essa questão é coisa de quem não conhece, eu conheço”.

“Nós vamos lá na Semadur. Vamos registrar o boletim de ocorrência e é isso”, concluiu. 

A prefeitura foi questionada, por meio da assessoria de imprensa, a respeito da situação das famílias, e o Jornal Midiamax está aguardando uma resposta. 

*Colaborou Guilherme Cavalcante.

Jornal Midiamax