Cotidiano

Sem salários há dois meses, industriários paralisam atividades no Indubrasil

Contas de hotéis e restaurantes também não foram pagas pela empresa

Midiamax Publicado em 01/03/2016, às 12h32

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Contas de hotéis e restaurantes também não foram pagas pela empresa

Cento e oitenta trabalhadores, que vieram de diversas partes do país, para trabalhar na empresa ADM (Archer Daniels Midland Company), em Campo Grande, paralisaram as atividades nesta terça-feira (1º), devido a falta de pagamento. Conforme os metalúrgicos, muitos estão sem receber há mais de dois meses. Há casos, em que o trabalhador afirma não ter recebido integralmente o salário de dezembro. Eles ainda reclamam que a conta do hotel em que estão hospedados, bem como do restaurante onde fazem as refeições, também estão atrasadas.

Nestas condições, eles pontuam que não resta outra saída senão protestar. “Paramos as atividades hoje porque não aguentamos mais esta situação. Tem trabalhador há dois meses sem receber. Eu entrei em contato com a administração da ADM que informou ter passado os pagamentos para a Intecnial (empresa terceirizada responsável pelas contratações). Já a terceirizada informou na sexta-feira (28) ter pagado os funcionários”, revela Robson William Souza de Freitas, presidente do STIMMMEMS (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos, de Campo Grande e Região de Mato Grosso do Sul).

O fato é que as empresas ficam no jogo de empurra-empurra e os trabalhadores continuam sem receber.

Willian Clayton, de 35 anos, que veio da Bahia, conta que todo mês é a mesma coisa. Salário atrasado e contas com juros. “Todo mês atrasa, as contas estão só aumentando. Minha família tem de se virar, porque sabe que não pode contar com meu salário”, reclama.

Na mesma situação, Carlos Araújo, de 28 anos, que veio de Goiás, diz não receber o salário integral há meses. “Ontem recebi um vale referente ao mês de janeiro. A situação fica muito complicada. As contas estão todas atrasadas e a minha família passando necessidade em casa”, critica.

Quem também já está cansado desta situação é Luiz Carlos Mendes, de 55 naos, de Minas Gerais. “Ontem pagaram uma parte do salário de dezembro. Pago pensão para o meu filho e me enrolei todo, porque não recebi. Isso tem de ser regularizado”, reverbera.

Presidente do STIMMMEMS - Marithê LopesA maioria dos funcionários veio de outras partes do país, principalmente das regiões nordeste, sudeste e sul. Eles estão hospedados em dois hotéis e fazem as refeições em restaurantes. Ambos pagos pela empresa. Também com as contas atrasadas, eles ainda temem ser despejados e não ter onde se alimentar.

Sem respostas

Sem resposta para o problema, já que a ADM diz ter pagado os salários a terceirizada e esta por sua vez diz já ter depositado o dinheiro para os trabalhadores, a diretora de Recursos Humanos da empresa ADM veio de São Paulo para uma reunião com os sindicatos.

Representantes do STIMMMEMS e do Sindicato das Indústrias de Azeite e Óleo de Mato Grosso do Sul estão reunidos com a diretora para buscar uma solução.

Enquanto isso, os trabalhadores aguardam a reunião acabar do lado de fora da empresa. Caso não cheguem a uma decisão adequada, eles avisam que irão procura o MPT (Ministério Público do Trabalho) e judicializar a situação, já que segundos os trabalhadores, funcionários que foram mandado embora não receberam os direitos trabalhistas.

Duas viaturas da Polícia Militar estão no local. Conforme o sargento Córdoba, eles foram chamados para garantir a segurança no local.

ADM

A ADM é uma das maiores do agronegócio no Brasil. Com mais de 4 mil colaboradores, a companhia processa soja em quatro plantas e comercializa os óleos de soja Concórdia e Corcovado. A companhia opera a maior planta de biodiesel do país, possui quatro plantas misturadoras de fertilizantes, uma planta de processamento de cacau, uma unidade de processamento de cana de açúcar para produzir etanol e mais de 40 silos em todo o país.

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