Cotidiano

Menino que morreu nos braços da mãe foi atendido em UPA sem pediatra

Sesau diz que pais demoraram para levá-lo a outra unidade

Midiamax Publicado em 09/09/2016, às 20h54

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Sesau diz que pais demoraram para levá-lo a outra unidade

Questionada sobre o atendimento da criança Enzo Manoel Godoy, de um ano e oito meses, que faleceu na quinta-feira (8) em Campo Grande, a Sesau (Secretaria municipal de saúde) afirma que os pais teriam negligenciado o filho. Os pais, no entanto teriam sido mal informados. Ao chegarem na primeira unidade de saúde, foram orientados seguir para a UPA Leblon (Unidade de Pronto Atendimento), que não possui pediatras.

Sesau

Para a Sesau, os pais demoraram para levar a criança ao socorro médico. “A mãe relatou a equipe médica que a criança estava com diarreia e vomito fazia um dia, no entanto, pelo grau de severa desidratação provavelmente a criança estava doente há mais tempo, sendo que no sistema consta que a última consulta da criança ocorreu em 2015”, afirma. 

Flávio Maurício de Arruda Lopes, pai da criança, contou que Enzo apresentou sintomas na terça-feira (6) após voltar do Ceinf (Centro de educação infantil) Osvaldo Maciel de Oliveira, no Bairro Taquarussu. O pai explicou que não acharam que o quadro da criança fosse grave, por isso não levaram Enzo ao médico na terça-feira. Enzo foi levado na quinta-feira (8) pela manhã.

“A criança Enzo Manoel Godoy de um ano e oito meses deu entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Leblon às 8h16 com quadro de desidratação grave vomitando e com diarreia. A criança foi hidrata e recebeu os cuidados devidos por uma médica. Foi feito todos os procedimentos médico e a criança foi regulada às 10h30 para ir ao vila Almeida”, afirma a secretaria.

Ainda assim, de acordo com a Sesau, os pais teriam demorado para levar Enzo ao atendimento orientado.

“A mãe foi orientada a levar imediatamente a criança a UPA, onde o tratamento seria prosseguido pelos pediatras. A assistente social da UPA conversou com a mãe deu as orientações e a mãe garantiu que iria até a UPA Vila Almeida terminar o tratamento da criança. No entanto, a mãe da criança não seguiu a orientação e a criança veio a falecer por volta das 16h30 de ontem. Do aconselhamento na UPA Leblon até a morte da criança se passaram em torno de 5 horas do atendimento”, explica.

O que dizem os pais

O bebê, segundo os pais, começou a passar mal na terça-feira (6) depois de sair do Ceinf (Centro de Educação Infantil) Osvaldo Maciel de Oliveira, no Bairro Taquarussu. Desde então, passou por duas unidades de saúde públicas e iria para uma terceira, por orientação dada no atendimento nestes locais.

Quando os pais pesavam em procurar um táxi, a criança começou a passar muito mal e eles decidiram pedir socorro no shopping, onde ambos trabalham. Lá, Enzo chegou morto.

A primeira unidade de saúde procurada foi o Centro de Especialidades Infantis, recém inaugurado no bairro Guanandi. Lá, disse o pai, o atendimento foi negado e a recomendação foi procurar a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Leblon. Nela, segundo o relato de Flávio, a criança recebeu apenas soro e foi liberada, com a indicação de procurar outra UPA, da Vila Almeida. Nesse trajeto, quando eles iam pegar um táxi, Enzo piorou e morreu nos braços da mãe.

O menino já estava desacordado quando o casal tentou socorro no shopping. Bombeiros e socorridas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tentaram reanimar a criança, sem sucesso.

No Centro de Especialidades, no entanto, os pais não foram orientados a procurarem a UPA Vila Almeida, unidade que possui pediatras. A Sesau também não explica porque a criança não foi deslocada pela própria equipe das unidades de saúde.

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