Cotidiano

Henry Heimlich, criador da famosa ‘manobra’ médica, morre aos 96 anos

  Há 6 meses ele salvava a última paciente com a técnica que criou

Midiamax Publicado em 18/12/2016, às 13h00

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Há 6 meses ele salvava a última paciente com a técnica que criou

O médico norte-americano Heny Heimlich morreu ontem (17) aos 96 anos. Henry é o criador da famosa ‘manobra’ médica que leva seu nome: a conhecida compressão abdominal, para aliviar a vítima de sufocamento. Henry foi responsável por salvar um número incontável de vidas com a técnica.

Heimlich, que nasceu em 3 de fevereiro de 1920, faleceu no Christ Hospital de Cincinnati, nos Estados Unidos. De acordo com o El País, a morte foi decorrente de complicações após um ataque cardíaco sofrido pelo médico na sexta-feira (16).

História

Henry graduou-se na Universidade de Cornell, e é doutor em medicina pelo Instituto Weil Cornell Medical Collgee em 1943, onde especializou-se em cirurgia. O El País destaca que o médico teve a carreira marcada pela criação da técnica, que ocorreu na década de 1970. A “manobra de heimlich” desbloqueia as vias respiratórias em caso de obstrução, peça-chave para auxílio de primeiros socorros em casos de asfixia.

“Heimlich publicou pela primeira vez sua descoberta em 1974 e só uma semana depois um jornal publicou que havia salvado uma vida. Até 2005, a manobra de Heimlich era a única recomendada pela Associação Estado unidense do Coração e pela Cruz Vermelha norte-americana. A partir de 2006, várias instituições colocaram a eficácia do método em dúvida. A própria autoria da manobra não esteve isenta de controvérsia: o doutor Edwar Patrick, um colega de Heimlich que morreu em 2009, afirmou durante anos ser o co inventor da manobra”, afirma o El País.

Além de milhares de pessoas ao redor do mundo, a manobra já salvou a vida de nomes conhecidos como Ronald Reagan – ex-presidente dos EUA -, a atriz Elizabeth Taylor, Goldie Hawn, Jack Lemmon, a atriz Nicole Kidman, a cantora Cher e a atriz Halle Berry. “Durante a sua carreira, Heimlich publicou mais de 100 trabalhos que o fizeram integrar o ‘Hall of Fame’ da Saúde e Segurança Pessoal”, declara o El País.

O médico também publicou suas memórias. Em 2014 lançou a autobiografia “Heimlich’s Maneuvers: My Seventy Years of Lifesaving Innovation” – Manobras de Heimlich: Meus setenta anos de inovação no salvamento de vidas, em tradução livre -. No livro, ele relata que as milhares de mortes anuais que aconteciam por obstrução da traqueia “o levaram em 1972 a buscar uma solução”, conforme explica o El País.

Nos anos seguintes, ele explica que, à frente de uma equipe de pesquisadores no Hospital Judeu de Cincinnati, provou com êxito a técnica. Ele colocou um tubo, com um balão na extremidade, na traqueia de um cachorro anestesiado, até que obstruiu a via respiratório do animal. Então, usou a manobra para obrigar o cachorro a expelir a obstrução. “Em 1974 sabia que tinha que informar o público da manobra o mais rápido possível para salvar vidas. Estou seguro que a manobra salva vidas e quero que a usem e a preservem. Tive a ideia de escrever um livro para que as pessoas tenham a informação correta”, contou ele.

“No mês de maio, o médio empregou a técnica pela última vez para salvar uma mulher em um asilo. Heimlich foi capaz de exercer a força suficiente sobre o peito da vítima, Patty Ris, de 87, para expelir um pedaço de hamburguer que estava asfixiando a idosa”, conta o El País.

Heimlich deixa quatro filhos. Um deles, Peter, foi um grande crítico do pai, e criou um site chamado “as fraudes médicas de Heimlich”.

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