Cotidiano

Câmara promete ‘engavetar’ estudo que sugere alterar história de Dourados

Município teria 102 anos e não é "Terra de Antônio João"

Midiamax Publicado em 22/11/2016, às 13h08

None
camara_idenor_comissao.jpg

Município teria 102 anos e não é "Terra de Antônio João"

O estudo de três anos desenvolvido pela Comissão de Revisão Histórica de Dourados e que sugere alterações na história do município – distante 228 quilômetros de Campo Grande – deverá ser engavetado sem maiores discussões na Câmara de Vereadores. Foi o que afirmou o chefe do Legislativo, vereador Idenor Machado (PSDB), em encontro com descendentes de pioneiros contrários ao relatório entregue às autoridades municipais no final de outubro.

Ao divulgar a recente agenda de parlamentares com nove membros da Comissão que manifestam críticas ao relatório, a assessoria de imprensa da Casa de Leis informou que “o presidente Idenor Machado explicou que o documento entregue à Câmara pelo professor e historiador Carlos Magno Amarilha trata-se apenas de um estudo, que deverá ficar nos anais da Casa, e não uma proposta de mudanças na data de aniversário e no Brasão do município”.

Essa foi uma garantia dada pelo chefe do Legislativo ao grupo de descendentes de pioneiros contrários às propostas de instituir o dia 15 de junho como aniversário de Dourados e retirar a frase “Terra de Antônio João” do dístico do Brasão do Município. O grupo, que afirma integrar a Comissão de Revisão Histórica, argumenta que não foi consultado pelo presidente da mesma, o historiador Carlos Magno Mieres Amarilha, sobre o resultado final das pesquisas que viria a ser entregue ao prefeito Murilo Zauith (PSB) e a Idenor.

"Destacamos que a não concordância com a pretensão de alteração da data de aniversário de Dourados se deve à inexistência de documentos suficientes para comprovar a criação do Município em data diferente do dia 20 de dezembro, pois a afirmação de que o verdadeiro aniversário de Dourados seria 15 de junho, por ter sido essa a data em que foi instalado o Distrito de Paz de Dourados, no ano de 1914, nada prova, pois isso não passa de especulação", pontuou o grupo liderado pelo vice-prefeito Odilon Azambuja (PMDB).

Ainda de acordo com a Câmara Municipal, esse grupo pediu aos vereadores que mantenham inalterada a história de Dourados mesmo que seja proposto no Legislativo algum projeto de lei embasado no relatório entregue pelo presidente da Comissão de Revisão Histórica. Atualmente, por força da Lei número 60, de autoria do vereador Aguiar Ferreira de Souza e homologada em 1953 pelo então prefeito Nelson de Araújo, os douradenses celebram no dia 20 de dezembro a emancipação político-administrativa, algo que ocorreu em 1935 e está prestes a completar 81 anos.

No entanto, quando finalizou os estudos e entregou o relatório às autoridades municipais, no dia 28 de outubro, Amarilha, professor da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) mestre em História pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e doutorando em Educação na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), ressaltou que pretendia, com o farto material de três anos de pesquisas, convencer os mandatários no Legislativo e no Executivo a instituírem essas mudanças através da legislação municipal.

A própria Prefeitura de Dourados informou, em matéria publicada no início deste mês, que “o prefeito Murilo recebeu o material e comentou que se trata de um assunto que realmente precisa ser colocado em debate, para que a sociedade possa entender todos os pontos elencados e finalmente decidir sobre as mudanças propostas”. 

Jornal Midiamax