Cotidiano

Avó de crianças que ficaram órfãs no Japão consegue guarda no Brasil

Mas ela só terá as netas se as autoridades japonesas concordarem

Júlia de Miranda Publicado em 05/05/2016, às 21h23

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Mas ela só terá as netas se as autoridades japonesas concordarem

A Justiça do Mato Grosso do Sul deu a guarda das netas para Maria Aparecida Amarília Scardin, que teve as filhas Akemi e Michelle Maruyama assassinadas no dia dia 29 de dezembro de 2015 no Japão. Agora, ainda resta saber qual vai ser o posicionamento das autoridades japonesas, já que as meninas vivem lá. Maria passou 75 dias em solo japonês logo após o acorrido tentando resolver as burocracias em torno dos óbitos e das garotas. Durante esse período, Maria não conseguiu a autorização para trazer as netas de 3 e 5 anos, filhas de Akemi, para o Brasil e nem pode conhecê-las, pois estão sob os cuidados da Justiça local.

“Eu estou muito feliz e confiante com essa decisão. A Justiça japonesa alegava que eu não podia trazer as meninas pois não tinha a guarda, agora tenho. O pai está preso, elas tem o direto de ficar com a família, são brasileiras, vai dar certo. Eu conheço as meninas só pelo computador, quero elas aqui, juntas com a irmã mais velha que tem 12 anos e mora  comigo”, afirmou. Ela ainda contou que sua luta não acabou, agora vai pedir a extradição do caso, para que ele seja julgado no Brasil. “Minha luta agora é em relação aos assassinatos de brasileiros que acontecem fora daqui. Vou lutar por mais rapidez e real solucionamento diante desses casos. Esse homem que fez isso com minhas filhas precisa ser julgado, quero justiça, nem que eu precise fazer greve de fome na frente no Itamaraty”, desabafou.

A solicitação da guarda das crianças foi intermediada pela Defensoria Pública e segundo a assessoria de imprensa, o defensor público Carlos Alberto Souza Gomes entrou com o pedido que foi deferido pela Justiça estadual. A solicitação foi encaminhada por meio do Ministério das Relações Exteriores para o Japão e será utilizado o mecanismo de cooperação internacional, previsto no novo CPC (Código de Processo Civil), que entrou em vigor no dia 18 março.O documento pedindo que o Japão defira a guarda das criança para a avó tem o histórico do caso, condição das meninas e a situação da avó. Agora resta aguardar a decisão do Japão.

Relembrando

Akemi e Michelle Maruyama foram assassinadas no dia 29 de dezembro na cidade japonesa de Handa. De acordo com a imprensa, elas teriam sido estranguladas, e o local incendiado posteriormente. A polícia encontrou um galão de gasolina praticamente vazio deixado sobre a pia da cozinha.

O marido de Akemi, de nacionalidade peruana, foi detido no dia do incêndio, quando dirigia um veículo acompanhado das duas filhas de Akemi, de 3 e 5 anos de idade e está preso no momento. Testemunhas afirmam ter visto uma pessoa parecida com o peruano perto do local do crime e também retirando objetos de um carro estacionado no local.

Jornal Midiamax