Educadores protestam na frente da Câmara de

Em greve desde o dia 23 de junho, os educadores de Dourados, a 228 quilômetros de Campo Grande, iniciaram essa quinta-feira (7) com uma manifestação na frente da Câmara Municipal. Às vésperas de darem início ao recesso de meio de ano, os vereadores são cobrados pela abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigue os investimentos do prefeito Murilo Zauith (PSB) na educação pública municipal.

Na quarta-feira (6), o procurador jurídico do Legislativo, Sérgio Henrique Pereira Martins de Araújo, disse ao Jornal Midiamax que o documento entregue ao presidente da Casa de Leis, vereador Idenor Machado (PSDB), na sessão de segunda-feira (4) pela presidente do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Dourados), Gleice Barbosa, não motiva a abertura de uma CPI.

“O Simted encaminhou para o presidente alguns questionamentos sobre aplicação de recursos na Educação. É uma questão que depende de levantamentos que cabem às comissões permanentes de Educação e Finanças. Não se fala em CPI. Fala-se em trabalho das comissões”, argumentou. “O presidente já recebeu o ofício, encaminhou e vai chegar até as comissões para início dos trabalhos. Vamos encaminhar para essas comissões que vão trabalhar em conjunto. Ainda está em fase embrionária. CPI aqui nem se cogita, porque não há denúncia expressa. Para CPI o rito é completamente diferente”.

Apesar dessa explicação dada pelo representante da Câmara, os educadores insistem na abertura de uma CPI para investigar o orçamento da educação. A partir de análises feitas sobre o relatório de gestão fiscal relativo ao 1º quadrimestre deste ano, o Simted aponta que “há indícios de que existem problemas na gestão orçamentária para que os 25% sejam de fato aplicados em Educação”.

O Sindicato sugere que por essa razão o prefeito não cumpriu acordos firmados na greve de 2014, que previam a aplicação do Piso Salarial de 20 horas para o magistério e a concessão de reajuste salarial dos servidores administrativos da educação, que estão, conforme a entidade sindical, há dois anos sem sequer reposição do índice inflacionário nos vencimentos.

Na sexta-feira (8) começam as férias escolares de meio de ano. Mas os educadores afirmam que a greve vai continuar enquanto Zauith manter as recusas de negociação. O prefeito, por sua vez, já mandou secretários avisarem que só conversa com representantes da categoria se a paralisação for suspensa. Atualmente, são afetadas total ou parcialmente as aulas de 28 mil estudantes matriculados na rede municipal de ensino.