Comissão de índios e pesquisadores definirá critérios

Após uma polêmica iniciada em março, quando fotos e nomes de estudantes brancos selecionados para ingressar na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) pelo sistema de cotas para índios foram compartilhadas entre os alunos da instituição, a universidade decidiu criar uma comissão para definir os novos critérios de seleção de índios ingressantes por cotas.

Em março, estudantes denunciaram que falhas na lei de cotas da UEMS, aprovada em 2003, poderiam estar facilitando o ingresso de alunos não-negros e não-indígenas na universidade, se aproveitando das ações afirmativas. 

Acontece que atualmente a lei de cotas para indígenas da UEMS, como afirmado em nota pela universidade, não exige que o vestibulando comprove baixa renda nem passe por comissão avaliadora. A instituição afirmou que quando os critérios de seleção foram criados, a necessidade de uma banca avaliadora foi descartada por já haver um órgão oficial reconhecido por lei, no caso, a Funai, que teria competência para referendar a descendência indígena dos ingressantes.

Para que novos casos de fraude não ocorram, a comissão que definirá os novos critérios de seleção para cotistas indígenas é composta por representantes do movimento indigenista e pesquisadores. Integrantes do Conselho Terena, da Aty Guasu, do Movimento de Professores Indígenas, pesquisadores da questão indígena em MS e alunos indígenas foram selecionados para compor a comissão de treze integrantes.

A comissão será presidida pela Dra. Beatriz dos Santos Landa, professora da UEMS e pesquisadora da questão indígena, e uma das autoras do livro “Indígenas no Ensino Superior”.

Este ano, 234 vagas foram abertas na UEMS em janeiro apenas para cotistas indígenas, correspondentes a 10% das vagas totais abertas no calendário acadêmico. As cotas para negros, também criadas em 2003, correspondem a 20% das vagas da instituição, e os alunos ingressantes devem passar por uma banca examinadora.

(Sob supervisão de Evelin Araujo)