Cotidiano

4 dias após acidente, família doa órgãos de motociclista que não resistiu

Órgãos salvarão vidas em três estados

Renata Portela Publicado em 21/10/2016, às 11h30

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Órgãos salvarão vidas em três estados

Na noite de quarta-feira (19), Hélio José de Lima Nogueira, de 35 anos, vítima de grave acidente, faleceu na Santa Casa de Campo Grande. Ele andava de moto no dia 15, sábado, e passava pelo cruzamento da Avenida Ernesto Geisel com a Rua Brilhante quando foi atingido por um carro e ficou em estado grave.

Após a constatação da morte, que é feita por uma série de exames, os órgãos de Hélio seguiram para Porto Alegre, Espírito Santo e Brasília, onde podem salvar outras vidas. Segundo a Santa Casa, a captação do órgãos foi feita pela CIHDOTT (Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante).

Corpo de Bombeiros foi acionado para escoltar o veículo da CET-MS (Central de Transplantes de Mato Grosso do Sul) com a equipe médica e os órgãos até a Base Aérea de Campo Grande. A operação também contou com o apoio da FAB (Força Aérea Brasileira), que transportou o coração para Brasília, com o tempo de quatro horas de tolerância entre a retirada do órgão em Campo Grande até o receptor.

Um dos rins doados foi para Porto Alegre e o outro para o Espírito Santo. As córneas do paciente permaneceram no Banco de Olhos do hospital. “Sem a ajuda da FAB, não conseguiríamos fazer captação, pois o coração tem o tempo estimado de até quatro horas para transplantar e os rins 24 horas. É um tempo muito curto que com voos comerciais não teríamos a chance de transportar a tempo”, explicou a coordenadora da CIDHOTT, Ana Paula das Neves.

A morte do paciente é confirmada por uma série de exames. A partir daí, a CIHDOTT entra em ação. A coordenadora da Comissão explicou que o trabalho inicia com a detecção do potencial doador, viabilização do diagnóstico de morte encefálica e a manutenção dos órgãos. Em seguida, a Comissão estabelece contato com familiares em busca do consentimento pela doação.

Houve interesse na doação de órgãos e o passo seguinte foi a busca de possíveis receptores nas listas estadual e nacional. Não existindo condições de transplante no Estado, a busca é realizada no Sistema Nacional de Transplantes, realizada pela Central Estadual de Transplantes.

“A lista é primeiramente rodada no Estado e depois nacionalmente. A pessoa que irá receber o órgão será a primeira da lista respeitando os critérios de compatibilidade de sangue, altura, peso, dentre outros. Tudo isso é levado em consideração para a escolha do receptor”, finalizou Ana Paula.

Com essa doação, a CIHDOTT soma 21 doadores neste ano. O número de famílias entrevistadas de janeiro até setembro foram 50, sendo que 30 não autorizaram a doação. Ao todo, 36 rins foram doados neste ano, 11 fígados e 6 corações.

Jornal Midiamax