Pular para o conteúdo
Cotidiano

Levamos o mesmo veículo para várias vistoriadoras e resultado surpreende

VÍDEO: veículo teve freio isolado e um amortecer removido antes das 'vistorias'
Arquivo -

Quem tem veículo com mais de 5 anos de uso registrado no (Departamento Estadual de Trânsito) ainda lamenta a taxa de R$ 103,45 para vistoria anual imposta no final do governo de André Puccinelli. Nas credenciadas, o custo sobe para R$ 120 e a justificativa é tirar de circulação os carros sem condições de uso. No entanto, um teste simples feito pela  equipe de reportagem do  Jornal Midiamax coloca em dúvida a eficácia do procedimento.

Um contribuinte foi convidado a inspecionar o mesmo automóvel nas sete vistoriadoras credenciadas pelo Detran-MS em , e no próprio órgão estadual. A ideia era verificar a qualidade da vistoria que aumentou o custo anual dos motoristas para, supostamente, ‘tirar os carros inseguros das ruas’. O resultado foi vergonhoso.

 “Como cidadão, a única explicação que tenho é de que criaram essa taxa só para ganhar . Não tem outra lógica, vendo a forma como agiram com minha caminhonete. É um abuso”, revolta-se o motorista convidado pelo jornal.

O veículo utilizado no teste, uma caminhonete ano 2003, teve o sistema de freios e de intencionalmente alterados de forma que não poderia, de forma alguma, ser autorizada a circular levando em conta as diretrizes das normas técnicas NBR 14040-6 e NBR 14040-8, que tratam da inspeção de segurança veicular de veículos leves e pesados com relação ao freio e aos eixos e suspensão.

O freio de uma das rodas foi isolado e um amortecedor foi simplesmente retirado. Mesmo assim, seis das sete vistorias, depois de pagas, tiveram resultado positivo. Para piorar citaram restrições que nada têm a ver com os graves problemas mecânicos provocados antes do teste. No próprio site do Detran-MS, a informação é de que as vistorias não incluem o sistema de frenagem e de suspensão, derrubando o argumento de que seriam uma forma de tirar das ruas carros inseguros.

Troca a placa!

Apesar de não chegarem sequer perto da falta de freio em uma das rodas e da ausência de um amortecedor, as seis vistoriadoras credenciadas pelo órgão que deveria zelar pela qualidade dos serviços apontaram a necessidade de trocar as placas da caminhonete. A substituição, vale lembrar, rende mais dinheiro ao órgão público e recentemente deixou de ser obrigatória nos casos em que as placas estiverem em bom estado de conservação.</p>

O laudo apresentado pelo Detran-MS, por exemplo, reprovou a caminhonete por problemas na lanterna e película irregular nos vidros. No entanto, as credenciadas: Focar, Dekra, Plena Visão, Prime Vistorias e Contato aprovaram com restrições a picape. A observação dos laudos pede emplacamento e troca de lacre.

A empresa Campo Grande, por sua vez, entregou relatório com laudo semelhante, mas depois deu nova avaliação. Nesta, a aprovação foi mantida, mas destacou ‘esfera de engate obstruindo a placa’.Todos os laudos podem ser conferidos nas imagens acima. A única empresa que reprovou o veículo com laudo parecido ao do Detran-MS foi a Terceira Visão. Neste relatório também foi apontado irregularidades constatadas na lanterna de iluminação da placa traseira, na película dos vidros e no engate.

O veículo utilizado para o teste, gravado com câmeras escondidas em todas as empresas e no Detran-MS, tem placas não refletivas com excelente visibilidade e legibilidade. Ou seja, seria mais um custo totalmente desnecessário para o proprietário. “A placa está legível e em boas condições, não precisa de mudanças. Mas eles não viram que a caminhonete estava sem amortecedor e com a roda isolada. É um absurdo isto”, se espanta o motorista que participou do teste.

Pedaço de pau

Os vídeos mostram cenas deploráveis, como um vistoriador usando um toco de madeira para tentar medir a altura de um pneu da caminhonete. O próprio condutor ofereceu uma trena para o servidor concluir a ‘medição’.

A equipe de reportagem do Jornal Midiamax procurou o Detran-MS para explicar o motivo da diferenciação nos laudos feito pelo órgão e nas vistoriadoras, mas até o fechamento desta matéria não obteve a resposta. Com relação ao processo de vistorias terceirizadas, o órgão informou, no entanto, que as credenciadas de vistoria têm um sistema integrado ao departamento, no qual as informações do laudo são repassadas ao órgão. Assim que o relatório for aprovado, o laudo é emitido dentro do sistema e entregue ao usuário.

*Texto editado às 18h38 para acréscimo de informações

 

 

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais

Sete trabalhadores são resgatados em condições análogas a escravidão em Porto Murtinho 

Motorista ‘puxa arma’ no trânsito e acaba abordado por equipes da PM na Av Duque de Caxias

Produção de medicamentos radiofármacos é suspensa após tentativa de ataque hacker ao Ipen

Cinco atletas de MS iniciam disputa do Top 16 na 2ª etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia

Notícias mais lidas agora

Após adiar por quatro vezes, CNMP vai julgar relatório sobre inspeção no MPMS

ferveu

VÍDEO: Ônibus ‘ferve’ e atrasa passageiros no Terminal Morenão

detran direitor

Ex-diretor do Detran-MS é absolvido por supostas contratações irregulares

Emicida se pronuncia sobre disputa judicial com Fióti: “Não foi repentina”

Últimas Notícias

Transparência

Com aditivo de R$ 371 mil, contrato de tapa-buracos sobe para R$ 1,85 milhão em Bonito

Empresa contratada é a "Espírito Santo Construtora, Indústria e Comércio LTDA"

Polícia

Polícia encontra R$ 15 mil em instrumentos musicais furtados em Campo Grande

Instrumentos foram furtados no último dia 30 no Jockey Clube

Brasil

Detento foge de presídio durante serviço interno em Minas Gerais

Homem estava no presídio de Passos desde dezembro do ano passado

Cotidiano

Clínica de Campo Grande procura homem que perdeu R$ 600 na porta do estabelecimento 

Funcionários querem devolver a quantia ao dono, que perdeu o dinheiro no Centro de Campo Grande