Pular para o conteúdo
Brasil

TCU aponta possibilidade de déficit de até R$ 55,3 bi e de descumprimento da meta em 2024

O tema foi abordado em processo de acompanhamento sobre a conformidade do projeto de lei orçamentária de 2024
Agência Estado -
Fachada Tribunal de Contas da União - TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) endossou os alertas sobre a possibilidade de o orçamento de 2024 conter receita “superestimada”, o que colocaria em risco a meta de déficit zero, além de apontar para a necessidade de o governo rever para baixo o crescimento das despesas primárias, tendo em vista que a sustentabilidade da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) não deve ser alcançada nos próximos dez anos. Para a área técnica do TCU, cuja posição foi chancelada pelos ministros da Corte, há chances de o Executivo registrar um déficit de até R$ 55,3 bilhões neste ano, o que acarretaria descumprimento da meta fiscal.

As conclusões, que ainda reforçam dúvidas sobre a capacidade de arrecadação do pacote de R$ 168,5 bilhões de receita extra, foram aprovadas nesta quarta-feira, 17, pelo plenário do TCU.

“No Orçamentária Anual da União para o exercício financeiro de 2024, a estimativa da Receita Primária Federal Líquida em 19,2% do PIB é muito acima do que foi observado nos anos recentes, indicando estar superestimada, o que acarreta a possibilidade de se ter déficit primário de até R$ 55,3 bilhões e de descumprimento da meta de resultado fiscal proposta no Projeto de LDO para 2024″, afirma.

O tema foi abordado em processo de acompanhamento sobre a conformidade do projeto de lei orçamentária de 2024. Apesar de não conter determinações ou recomendações, o acordão e seus alertas serão encaminhados à Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso e a órgãos do governo, como a Fazenda.

Embora a peça orçamentária já tenha sido aprovada pelo Congresso, o relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, pontuou em seu voto que esse fato não altera as conclusões da Unidade de Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal da Corte. O relatório da área foi aprovado em julgamento que durou poucos segundos na tarde desta quarta-feira O acórdão, contudo, contém 51 páginas, e observações feitas também pelo ministro-relator.

Em seu voto escrito, Jhonatam de Jesus ressaltou que o governo não apresentou ao Congresso a metodologia pela qual estimou que as medidas do pacote de arrecadação extra irão gerar R$ 168,5 bilhões neste ano. O ministro citou, por exemplo, as incertezas quanto ao potencial da lei de tributação de fundos de alta renda, cujo texto foi alterado pelo Parlamento, e a queda do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à continuidade da desoneração da folha de pagamentos, cuja renúncia fiscal é estimada em R$ 12 bilhões pela Fazenda.

Além de fazer os alertas sobre o nível de receitas e despesas previsto na proposta, a Corte também reforçou dúvidas sobre o cálculo da equipe econômica de que haverá uma economia de R$ 12,5 bilhões no orçamento do neste ano. Sem um detalhamento “adequado” sobre como o governo conseguirá alcançar esse feito, a área técnica afirmou ter ficado “impossibilitada” de fazer uma análise acurada sobre o tema, não ficando claro se a projeção é factível. “Tendo em vista a pouca clareza sobre a obtenção e a desses valores”. Apontou.

Expectativas de receita primária é ‘otimista’

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) classificou como “aparentemente otimista” a expectativa do governo de que a Receita Primária Federal Líquida neste ano será de 19,2% do PIB, um nível “muito acima” do que foi observado nos últimos anos. A falta de credibilidade sobre o número é um dos motivos que levaram a Corte de Contas a concluir que há possibilidade de o Executivo fechar o ano com um déficit de R$ 55,3 bilhões (-0,5% do PIB), contra a meta de déficit zero traçada pela equipe econômica.

Para fazer uma análise sobre as diretrizes de receitas, despesas e meta fiscal do governo para elaborar a peça orçamentária deste ano, a unidade técnica usou estimativas próprias. Para a receita líquida, por exemplo, usou o índice de 18,7% em relação ao PIB.

“Pelos valores apurados, o resultado primário estimado no PLOA para 2024 de superávit de R$ 2,8 bilhões atende à meta proposta no PLDO 2024, de resultado de 0% do PIB, cabendo, contudo, a ressalva de que poderá ocorrer déficit primário de até R$ 55,3 bilhões, caso as premissas adotadas por esta equipe de fiscalização sejam atingidas”, alertou o TCU, ponderando, contudo, que a conjuntura atual é “bastante incerta”, o que pode resultar em “oscilações significativas nos resultados em decorrência de medidas legislativas que estão sendo debatidas”.

Apesar de contrariar a previsão da equipe econômica, a estimativa do TCU é menos pessimista que a do mercado. No último relatório de Mercado Focus, a mediana da projeção de rombo fiscal de 2024 seguiu em 0,80% do PIB.

A Unidade de Auditoria Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal da Corte também chama atenção para o fato de que, “na contramão do otimismo para 2024”, existe uma tendência recente de redução das receitas que entram no caixa do governo. “A estimativa do PLOA 2024 de 19,2% para 2024 parece estar superestimada em comparação com os anos recentes e só é inferior ao recorde de 20,2% alcançado em 2010”, observa a área técnica.

Dívida

O TCU também se debruçou sobre a sustentabilidade da dívida pública, opinando que seria importante limitar o crescimento das despesas primárias a uma taxa menor do que 70% de crescimento do PIB, conforme foi estabelecido no novo arcabouço fiscal, chegando a citar um nível de 60%. “Os fatores que afetam a sustentabilidade da dívida são o crescimento do PIB, as taxas de juros e os resultados primários. O único fator sob controle do governo é o dos resultados primários. Os outros fatores podem ser parcialmente afetados pelas políticas econômicas, mas o histórico não favorece projeções mais otimistas”, observou a área técnica.

Tendo esse cenário em conta, o TCU lembrou que o crescimento médio do PIB foi de apenas 1,6% ao ano nos últimos anos, bem abaixo das projeções do governo para os próximos anos. Já as taxas reais de juros também têm se situado bem acima dos 4% anuais, utilizados na projeção menos otimista dos técnicos da Corte de Contas. “Não é objeto desta análise fazer simulações para trajetórias da DLSP Dívida Líquida do Setor Público, cabendo apenas ressaltar a situação preocupante para a sustentabilidade da dívida pública”, concluiu.

O relatório, por fim, pontua que a unidade técnica chegou a pedir ao Tesouro Nacional que explicasse as estratégias que serão utilizadas nas leis de diretrizes orçamentárias para compatibilizar a meta de resultado primário com a estabilização e sustentabilidade da dívida. Em resposta, o órgão da Fazenda afirmou que as diretrizes, restrições, cenários e instrumentos de políticas serão compatibilizadas oportunamente durante a preparação do Anexo de Metas Fiscais. “Esse processo se desenvolverá ao longo dos primeiros meses de 2024, e estará concluído até a data do envio do PLDO 2025 ao Congresso Nacional, em 15 de abril do próximo ano”, respondeu o Tesouro.

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais

Anvisa proíbe suplementos alimentares com ora-pro-nóbis

VÍDEO: tamanduá vai parar em bar na noite desta sexta em Campo Grande

Nunes Marques pede vista e suspende julgamento de Palocci no STF

Peña diz que espionagem do Brasil ‘reabre velhas feridas’ da Guerra do Paraguai

Notícias mais lidas agora

Após adiar por quatro vezes, CNMP vai julgar relatório sobre inspeção no MPMS

detran direitor

Ex-diretor do Detran-MS é absolvido por supostas contratações irregulares

DJ nascida em Dourados é presa em Portugal por exploração sexual

Jovem até então desaparecida é encontrada em Três Lagoas

Últimas Notícias

Brasil

STF pede que PGR apure abuso em greve de peritos do INSS

Cerca de 10% dos médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão em greve parcial

Mundo

Após retaliação da China, Trump diz que sua política não mudará

Em outra postagem, logo em seguida, o presidente americano disse que a China errou ao retaliar

Cotidiano

Amigos fazem vaquinha para ajudar mecânico Leonardo que sofreu grave acidente

Sofreu um grave acidente de moto na Avenida Vitor Meirelles

Polícia

Mulher invade casa com bebê no colo, agride adolescente e bota fogo em roupas de marido

Os policiais encontraram a autora em um bar