O indigenista Bruno Araújo Pereira recebeu ameaças de morte de pescadores ilegais da região do Vale de Javari por meio de carta disponibilizada ao jornal O Globo, antes de desaparecer no dia 5 de junho com o jornalista Dom Phillips.

Segundo informações do Yahoo Notícias, na carta, os pescadores citam que é melhor Bruno Pereira e Beto Índio “se aprontarem”. “Sei que quem é contra nós é o Beto Índio e Bruno da Funai, quem manda os índios irem para área prender nossos motores e tomar nosso peixe. Só vou avisar dessa vez, que se continuar desse jeito, vai ser pior para vocês. Melhor se aprontarem. Tá avisado”, afirma o trecho da carta. A carta foi deixada embaixo da porta do escritório do advogado da Univaja, Eliésio Marubo.

O indigenista Bruno Pereira foi responsável pelo acompanhamento da EVU (Equipe de Vigilância Indígena da Univaja) na apreensão de equipamentos de pesca e caça, bem como, peixes capturados de forma ilegal. Há dois meses atrás, o indigenista também denunciou a pesca e a caça ilegal no Vale do Javari, com todo o mapeamento da região e entregou a PF (Polícia Federal) e o MPF (Ministério Público Federal) de Tabatinga. O material também tinha fotos e a identificação dos responsáveis, inclusive, dois irmãos presos pelo envolvimento do desaparecimento do indigenista e do jornalista.

A partir do material de Bruno, o MPF deu início a investigação das denúncias que também teria relação com um esquema de tráfico de drogas em que tartarugas eram alvo de lavagem de dinheiro e eram vendidas no exterior.