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Pesquisa da Fiocruz mostra que covid pode causar reflexos negativos para vida toda em jovens

O estudo destaca que essa faixa etária poderá ser altamente afetada pela ocorrência de Covid-19 longa ou síndromes pós-Covid.

Lucas Mamédio Publicado em 19/07/2021, às 16h10

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(Foto: Tempura/iStock)

As implicações do rejuvenescimento da pandemia de Covid-19 no Brasil é tema de um extenso artigo de pesquisadores do Observatório Fiocruz Covid-19 e publicado em periódico do grupo inglês The Lancet em 14 de julho. A partir da constatação de que os casos de Covid-19  nas faixas mais jovens (adultos entre 20 e 59 anos) que evoluem gravemente e resultam em óbito terem sido cada vez mais frequentes, o estudo destaca que essa faixa etária poderá ser altamente afetada pela ocorrência de Covid-19 longa ou síndromes pós-Covid. 

Como o sistema de saúde está sobrecarregado em muitas cidades, uma implicação imediata, segundo o estudo, é o crescente tempo de internação por Covid-19. Além disso, os pesquisadores alertam que a carga de doença entre os adultos jovens pode comprometer cronicamente sua qualidade de vida e a capacidade para as atividades diárias, incluindo o trabalho. Eles ressaltam que  este cenário poderá criar um impacto social de longo prazo dramático.

O estudo observa que, no início de 2021, houve uma aceleração significativa da incidência e mortalidade da Covid-19 no Brasil. Até a primeira semana de junho o Brasil havia atingido quase 17 milhões de casos e pouco mais de 472 mil mortes.

A mudança demográfica tem sido observada neste período, em que adultos jovens e de meia-idade passaram a representar uma parcela crescente dos pacientes internados em enfermarias e unidades de terapia intensiva (UTI). O perfil de internações mudou com a substituição de pacientes idosos − com maior risco de desenvolver formas graves devido a condições crônicas pré-existentes − por pacientes mais jovens com Covid-19.

O Observatório Covid-19 da Fiocruz acompanha desde janeiro esse processo, que ficou conhecido como "rejuvenescimento" da pandemia. A metodologia envolve uma análise semanal por distribuição de idade e idade média dos casos e óbitos hospitalizados e a proporção absoluta e relativa de pacientes hospitalizados e óbitos por Covid-19 por grupos de idade. Os casos são agregados por semana epidemiológica, de acordo com a data dos sintomas iniciais para os casos confirmados por Covid-19. 

Diante do contexto atual da pandemia, os cientistas destacam três fatores principais que contribuíram para a mudança na dinâmica da pandemia. Em primeiro lugar, a entrada e o aumento da circulação de novas variantes de preocupação (VOC, em inglês). Em segundo, a irregularidade na oferta de auxílio emergencial para a população em situação de pobreza tem levado a um maior relaxamento nas medidas de distanciamento físico, uma vez que mais pessoas tiveram que ir às ruas para trabalhar e obter alguma renda para se alimentar.

Finalmente, a vacinação contra a Covid-19 começou no Brasil imediatamente após a aprovação da primeira vacina pela Anvisa em 17 de janeiro de 2021 e tem coberto de forma diferenciada grupos prioritários − trabalhadores de saúde, pessoas institucionalizadas com mais de 60 anos ou com deficiência, a população indígena em tribos e os idosos. “A progressão da cobertura entre a população mais longeva tem levado, então, a uma retração na contribuição de idosos nos casos graves de Covid-19 e morte nas últimas semanas”.

Jornal Midiamax