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Para atrair filiados, Mourão diz em vídeo que PRTB não tem passado 'tenebroso'

Condenado no mensalão, Mourão mandou um recado em vídeo da campanha de filiação do PRTB

Agência Estado Publicado em 22/11/2021, às 11h36

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Reprodução

No momento em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, decide se vai se filiar ao PL, de Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, o vice-presidente Hamilton Mourão mandou um recado em vídeo da campanha de filiação do PRTB. "Nosso partido é um partido de direita, que não tem nenhum passado daqueles, tenebroso. Muito pelo contrário", disse o vice em vídeo divulgado nas redes sociais.


A fala do vice ocorre em meio a contestações na base bolsonarista à filiação de Bolsonaro ao PL. Até a campanha eleitoral de 2018, o presidente era crítico de Costa Neto e do Centrão e chegou a se referir ao cacique do PL como "corrupto e condenado".


O vídeo no qual Mourão convoca eleitores a se filiarem ao PRTB foi publicado nove dias depois de a presidente nacional do partido, Aldinea Fidelix, gravar uma mensagem convidando o presidente Jair Bolsonaro a integrar a sigla. Até o primeiro trimestre deste ano, o PRTB era comandado por Levy Fidelix, que morreu em abril.


Nas imagens, de cerca de 1 minuto, com o Hino Nacional ao fundo, Aldinea estende o convite a três filhos do presidente, Flávio, Eduardo e Carlos, a "grupos políticos e militância". "Partido genuinamente da direita conservadora", diz. "O PRTB está de braços abertos para recebê-los. Já estivemos juntos em 2018 e parece ser destino do PRTB estar à disposição para lutarmos pelo bem do nosso povo."


A desconfiança da militância bolsonarista com a filiação de Bolsonaro ao PL levou o entorno do presidente a afinar o discurso. Para justificar a pretensão de Bolsonaro pelo partido de Costa Neto, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), primogênito do presidente, deu o tom do discurso.


"Isso é cicatriz, ele já pagou o que tinha que pagar. Está quite, zerado", disse o senador, que participou das tratativas e endossou a preferência pelo PL. "Qualquer partido vai ter problemas. Eu não passei o que passei? Sou bandido por causa disso? Não dá para comparar com o que o Valdemar teve, mas ele cumpriu a pena dele. Vamos julgar novamente o cara?"


Na quarta-feira, 17, Costa Neto informou ter recebido "carta branca" dos diretórios estaduais para mexer em alianças regionais e facilitar a filiação de Bolsonaro ao partido. Um dos entraves era à entrada do presidente no PL era o apoio do partido já negociado com PT e PSDB nos Estados.


Um dos principais pontos de divergência entre a cúpula do PL e Bolsonaro é São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. Foi por causa da aliança do PL com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e também pela disposição do partido em apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Estados do Nordeste que Bolsonaro decidiu adiar a filiação à sigla comandada por Costa Neto.


O PL compõe a base aliada que dá sustentação a Doria na Assembleia Legislativa e tem cargos importantes na área de infraestrutura. Integrante do Centrão, o partido tem o compromisso de apoiar o vice-governador Rodrigo Garcia, pré-candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes, mas Bolsonaro quer lançar para essa cadeira, em 2022, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

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