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Em reunião com Bolsonaro, Weintraub reconhece não haver ‘clima’ para ficar no MEC

Em uma reunião realizada no fim da tarde de ontem (15), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, reconheceu que não “há mais clima” para continuar chefiando a pasta, após ter participado de uma manifestação antidemocrática em Brasília, no domingo, onde reiterou sua opinião sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): de que são “vagabundos”. […]

Matheus Maderal Publicado em 16/06/2020, às 09h43

Agência Brasil, Reprodução
Agência Brasil, Reprodução - Agência Brasil, Reprodução

Em uma reunião realizada no fim da tarde de ontem (15), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, reconheceu que não “há mais clima” para continuar chefiando a pasta, após ter participado de uma manifestação antidemocrática em Brasília, no domingo, onde reiterou sua opinião sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): de que são “vagabundos”. As informações são da coluna de Lauro Jardim, d’O Globo.

De acordo com a reportagem, ainda durante a reunião, Bolsonaro teria afirmado que vai arranjar outro cargo para Weintraub, que vem sendo personagem central na escalada de tensões entre os Poderes em Brasília. Em vídeo de reunião ministerial realizada em 22 de abril, o ministro chamou os decanos do Supremo de “vagabundos” e pediu prisão a eles.

No domingo (14), Weintraub ainda polemizou ao participar de manifestação antidemocrática em plena pandemia, uma vez que não estava usando máscara, cujo uso é obrigatório no Distrito Federal. Na aglomeração, Weintraub foi questionado sobre sua fala na reunião ministerial e respondeu: ” – Já falei minha opinião… o que faria com esses vagabundos”.

Habeas Corpus

Nessa segunda-feira (15), o Supremo decidiu rejeitar o habeas corpus ajuizado pelo ministro André Mendonça (Justiça) em favor de Weintraub, para que ele não fosse obrigado a depor no inquérito que investiga disparo de notícias falsas contra integrantes da corte, após ter sua opinião sobre os decanos exposta no vídeo da reunião ministerial.

Ainda ontem, a Polícia Federal prendeu apoiadores de Bolsonaro ligados ao movimento “300 do Brasil”, que, durante uma manifestação no sábado, simulou um ataque armado às instalações do Supremo, usando fogos de artifício. Entre os detidos, estava a líder do movimento, Sara Winter. As prisões são um desdobramento do inquérito das fake news, e foram autorizadas pelo ministro do Supremo, Alexandre de Moraes.

Mais cedo, nesta terça-feira (16), a PF deu continuidade à chamada Operação Lumec, que cumpre 21 mandados de busca e apreensão em cinco Estados e no Distrito Federal.

Entre os alvos estão o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), o youtuber Allan dos Santos – dono do canal Terça Livre na internet -, e Luis Felipe Belmonte, que está por trás da formação do grupo político Aliança Pelo Brasil, que tenta angariar apoio de bolsonaristas para formar um partido político após o presidente se desligar do PSL, no ano passado.

No final de maio, outros bolsonaristas proeminentes também foram alvo de operações da polícia, ainda no âmbito do inquérito das Fake News. Empresários como Luciano Hang, o dono das lojas Havan, e o presidente do PDT, Roberto Jefferson, tiveram celulares e computadores apreendidos.

Jornal Midiamax