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Rebelião em presídio deixa 5 mortos no MT

Rebelião envolvendo 240 detentos 

Diego Alves Publicado em 12/04/2017, às 00h44

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Rebelião envolvendo 240 detentos 

Um princípio de rebelião envolvendo 240 detentos da Penitenciária Osvaldo Florentino Leite Ferreira, o ‘Ferrugem’ em Sinop (500 km de Cuiabá), terminou com cinco presos mortos e pelo menos outros oito gravemente feridos nesta terça-feira (11). A ação dos presos é considerada a mais violenta desde que a unidade passou a receber detentos em 2006. 

Segundo o agente penitenciário Roni de Souza, que trabalha na unidade prisional, a rebelião começou por volta de 6h50 no momento da troca de plantão. “Os presos atearam fogo em colchões e houve confronto e troca de tiros com agentes, mas os detentos da ala evangélica foram feitos reféns o todo momento”, explicou. 

A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) confirmou que os presos estavam com dois revólveres e os serviços de inteligência estão investigando como o armamento chegou até os detentos. 

Ainda de acordo com o agente prisional, Rone dos Santos, o principal motivo da rebelião é a disputa entre as facções que tomaram conta da unidade. “Eles entregaram uma lista com algumas exigências, porém sabemos muito bem que existe uma rixa entre membros do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC)”, alertou o agente. 

Ainda no meio da amanhã, a rebelião foi controlada e iniciaram as negociações entre os agentes e líderes das facções, mas os presos continuaram amotinados na ala azul e laranja, fazendo o detentos evangélicos reféns. 

A ação dos presidiários foi considerada pelo Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário de Mato Grosso (Sindspen) como a mais violenta da história da unidade, com cinco presos mortos e 17 feridos. Sendo que dois presidiários morreram decapitados pelos próprios presos. Esta foi a segunda rebelião com reféns desde o funcionamento da penitenciária, porém é a primeira com presos mortos. 

Segundo o diretor regional do Sindspen, Rone Santos, a unidade começou a receber presos desde 2006, mas ainda não foi oficialmente inaugurada. A penitenciária possui capacidade para 326 detentos, mas atualmente possui 880. “As salas que deveriam estar sendo usada para recuperação dos detentos virou selas para guardar os presos”, alertou. 

Após circular a informação do confronto da unidade, familiares dos presos se concentraram na frente da unidade em busca de informações sobre os presos feridos e mortos. Algumas pessoas atacaram a ambulância do Corpo de Bombeiros que socorriam as vítimas feridas. 

PLANO DE CONTROLE – O secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel da PM, Airton Benedito Siqueira, e de Segurança Pública, Rogers Jarbas foram a Sinop acompanhar as negociações na penitenciária para retomada do controle na penitenciária de Sinop. 

A segurança dentro e fora da unidade ganhou reforço de Agentes do Serviço de Operações Penitenciárias Especializadas (SOE), militares da Ronda Ostensiva Tática Móvel (Rotam) e a Força Tática da PM de Cuiabá e dos municípios de Sorriso e Peixoto de Azevedo. 

A lista com os nomes dos presos mortos foi divulgada no meio da tarde. São eles, Reginaldo Agostinho, que respondia por tráfico de drogas; Bruno Aparecido Bezerra, preso por roubo; Marcelo Viturião Carvalho, por latrocínio. Isauro Pedro Gonçalves, preso por crime sexual que sofreu um infarto durante a rebelião e morreu, após ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Uma das vítimas ainda não foi identificada. 

Após a criação do comitê de crise, por volta de 14h30 os homens da força de segurança entraram na unidade na tentativa de retomar do controle das duas alas. As negociações seguiram até as 17h, porém os detentos não se renderam e continuam mantendo reféns o presos da ala evangélica. 

Segundo informações da Sejudh, a rebelião está controlada, porém os presos continuam amotinados nas alas azul e amarela. As negociações foram suspensas no início da noite, mas serão retomadas na manhã desta quarta-feira (12). 

Jornal Midiamax