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Cármen Lúcia diz que possível ‘devassa’ contra Fachin é ‘própria de ditaduras’

Tom da ministra foi grave

Aliny Mary Dias Publicado em 10/06/2017, às 19h11

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Tom da ministra foi grave

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lucia, divulgou nota neste sábado (10), em tom grave, mostrando indignação com a possibilidade de a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estar investigando o ministro relator da Lava Jato, Luiz Edson Fachin.

Na nota, Cármen Lúcia disse que a possível “devassa” contra o ministro é “própria de ditaduras”. A presidente do STF também acrescentou que a Corte repudia, com veemência, “espreita espúria, inconstitucional e imoral contra qualquer cidadão e, mais ainda, contra um de seus integrantes, mais ainda se voltada para constranger a Justiça.”

Também neste sábado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se manifestou com veemência sobre “suposta utilização do aparato estatal para desmerecer um membro da mais alta Corte do país”.

As reações de Cármen Lúcia e Rodrigo Janot se referem à reportagem publicada pela revista “Veja”, segundo a qual o Palácio do Planalto teria colocado a Abin para obter informações sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, relator da investigação sobre o presidente Temer. O Planalto desmentiu nesta sexta à noite a informação, em nota.

“O presidente Michel Temer jamais ‘acionou’ a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para investigar a vida do Ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, como publicado hoje [sexta, 9] pelo site da revista Veja. O governo não usa a máquina pública contra os cidadãos brasileiros, muito menos fará qualquer tipo de ação que não respeite aos estritos ditames da lei”, disse a Presidência.

A investigação da Abin

Segundo a “Veja”, a investigação da Abin, em curso há alguns dias, já teria encontrado indícios de que Fachin voou no jatinho da JBS. De acordo com um auxiliar do presidente que não quis se identificar, acrescenta a revista, Fachin usou a aeronave nos dias que antecederam a sabatina no Senado, em 2015.

Ainda de acordo, com a revista, em campanha para conseguir apoio entre os senadores para a indicação dele ao STF, Fachin esteve em Brasília num jantar sigiloso com Renan Calheiros. Segundo a “Veja”, o contato foi intermediado por Ricardo Saud, então diretor da JBS, hoje um dos delatores da Lava Jato.

No fim desse jantar, diz a revista, Fachin e Saud seguiram para o aeroporto de Brasilia, onde o indicado ao STF embarcou no jato de Joesley para Curitiba.

Segundo “Veja”, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, foi acionado por auxiliares de Temer para obter provas desta viagem. A Abin, subordinada ao GSI, está rastreando, de acordo com a revista, os voos realizados em 2015 pelos aviões registrados em nome do grupo JBS, além de todos os pousos e decolagens na rota Brasília-Curitiba.

A informação, segundo a revista, é para constranger o ministro e insinuar que ele só homologou a delação em termos “tão favoráveis” ao dono da JBS porque lhe deve favores.

Com essas informações, diz a “Veja”, o governo quer defender que Fachin deixe a relatoria da Lava Jato no STF.

Jornal Midiamax