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RS tem 3,4 mil fora de casa, e Defesa Civil alerta para novos alagamentos

Tenente-coronel Alexandre Martins de Lima diz que segue em atenção

Gerciane Alves Publicado em 15/07/2015, às 16h39

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Tenente-coronel Alexandre Martins de Lima diz que segue em atenção

A chuva diminui de intensidade nesta quarta-feira (15) e deve parar em breve. No entanto, as consequências do grande volume de precipitação ainda aparece em cidades do Rio Grande do Sul. Um novo levantamento da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, divulgado nesta quarta-feira (15), aponta que 3.412 pessoas estão fora de casa no estado. São 684 desabrigados e mais de 2,7 mil desalojados. O número de municípios tiveram transtornos em decorrência da chuva que atinge o estado desde o início da semana subiu para 37.

A Defesa Civil alerta para a possibilidade de aumento no nível dos rios da região do Vale do Caí e Vale do Sinos, umas das mais atingidas pela enchente dos últimos dias no estado. O Guaíba, em Porto Alegre, também pode subir e atingir os moradores da região das ilhas da capital.

“A Região Metropolitana é muito baixa, e se a chuva continuar pode atingir muitas famílias”, explica o subchefe do órgão no estado, tenente-coronel Alexandre Martins de Lima em entrevista ao Jornal do Almoço da RBS TV (veja no vídeo). “Uma situação dessas, não tem terreno que consiga drenar essa quantidade de água. Estamos monitorando os rios desde domingo caso saiam das margens, porque temos muitas comunidades ali”, completa.

Atualmente, a Defesa Civil atua com 12 equipes em todas as regiões atingidas pela chuva – quatro delas estão na Região Metropolitana.

Muitos, porém, resistem e não saem das moradias por medo de saques e por temer perder os poucos pertences que restaram. “As pessoas não querem sair, muitas vezes. Não querem sair por medo de saques, porque já vai perder com a enchente e tem gente que ainda rouba”, sustenta Lima.

Ao todo, 37 municípios gaúchos tiveram transtornos em decorrência da enchente. O subchefe da Defesa Civil ressalta a importância de obras para evitar que elas se repitam.

“O poder público tem que trabalhar preventivamente, porque nos últimos anos o que foi gasto depois, se tivesse investindo em prevenção, teria resolvido”, argumenta ele.

A previsão do tempo, entretanto, indica que a trégua da chuva é pequena e que ela volta no fim de semana ao estado. Por enquanto, o momento é de limpar as cidades e reconstruir o que a água levou ou danificou nos últimos dias.

Em Esteio, na Região Metropolitana, aos poucos, o alagamento diminui. Conforme a água baixa, surge o lixo. Galhos e garrafas plásticas estão espalhados pelas ruas. Parte da cidade também está às escuras. A AES Sul desligou a energia elétrica para evitar curtos-circuitos.

O município decretou situação de emergência na terça-feira (14). Segundo dados divulgados pela prefeitura, em 36 horas o volume de precipitação chegou a aproximadamente 200 milímetros, 80 mm acima do total esperado para todo o mês de julho.

Com a emissão do decreto de situação de emergência, a prefeitura pode agilizar o atendimento às vítimas das chuvas, principalmente para compra de materiais e mantimentos e a realização de dragagem emergencial dos arroios, que transbordaram.

Esteio também optou por antecipar as férias escolares na rede municipal de ensino para esta quarta-feira (15). Os municípios de Rolante e Riozinho, no Vale do Paranhana, também decretaram situação de emergência.

Na Fronteira Oeste, a chuva não foi tão forte, mas o problema é a cheia do Rio Uruguai. A água vai descendo do Norte e causa medo nos moradores de São Borja, Itaqui, Uruguaiana e Barra do Quaraí, que podem ser atingidos.

Previsão do tempo

A frente fria que causou toda a chuva nos últimos dias está se afastando do estado. Ainda assim, ainda há chances de pancadas em pontos no Norte e na Serra gaúcha.

A entrada de uma massa de ar polar também vai derrubar as temperaturas. Os termômetros variam entre 3°C e 17°C.

Na quinta (16), a massa de ar polar se intensifica e na Campanha e Fronteira Oeste pode haver formação de geada. No Sul, no Centro e no Noroeste, sol surge entre algumas nuvens, e predomina a sensação de frio e tempo firme. Nas outras áreas, inclusive em Porto Alegre, também não há expectativa de chuva.

No entanto, a trégua da chuva dura pouco. A partir de sexta feira (17) já tem nova previsão de chuva, mas mais fraca, no Nordeste do estado. Nas outras áreas o tempo fica seco.

No final de semana, uma nova frente fria chega ao estado.

O sábado (18) já terá chuva pela manhã na Fronteira Oeste. Nas outras áreas, inclusive na capital, as pancadas chegam no período da tarde, de forma isolada. No domingo (19), chove a qualquer hora no Centro-Oeste e no Sul do estado.

Jornal Midiamax