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Congresso voltará do recesso ‘mais duro’ em relação ao governo, diz Cunha

"Se Brasil vivesse o Parlamentarismo, não teríamos a crise de hoje", declarou

Clayton Neves Publicado em 16/07/2015, às 14h46

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“Se Brasil vivesse o Parlamentarismo, não teríamos a crise de hoje”, declarou

Em um café da manhã com jornalistas, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que vê um governo perdendo a cada dia sua governabilidade e reclamou que a crise política de hoje “não termina”. “Se Brasil vivesse o Parlamentarismo, não teríamos a crise de hoje”, declarou o peemedebista, que é defensor do modelo. 

Cunha atribuiu ao vice-presidente Michel Temer a aprovação do pacote de ajuste fiscal e a minoração da crise, mas voltou a defender a saída do peemedebista da articulação política do governo assim que as medidas estiverem consolidadas, que sua “missão” no ajuste fiscal for cumprida. “Temer não pode ficar cuidando de coisas menores”, pregou.

O presidente da Câmara enfatizou que essa é a primeira vez na história recente que um governo não tem maioria no Congresso. Ele acredita que após o recesso parlamentar, os deputados devem voltar “mais duros” em relação ao governo, já que a expectativa é que haja pressão da base eleitoral, que está insatisfeita com o aumento do desemprego. “A instabilidade não é boa para ninguém. Não desejo o insucesso de nenhum governo”, afirmou.

O PMDB só manterá a aliança com o PT até o final do governo para cumprir o compromisso firmado nas urnas e manter a governabilidade do país, segundo o peemedebista. Segundo ele, não é “improvável” que a legenda saia a qualquer tempo do governo, mas esta não seria a postura “ideal”. “É uma forma de dizer para a sociedade que estamos lá para dar governabilidade porque assumimos este compromisso mas estamos doidos para cair fora”, afirmou. Durante um balanço sobre o primeiro semestre a frente da Câmara dos Deputados, Cunha explicou que a legenda tem responsabilidade com o país e que a população não entenderia uma saída do PMDB neste momento, mas acrescentou: “Se tem um partido que não quero fazer aliança hoje é o PT”.

Segundo mandato
Cunha também criticou o governo por não ter capacidade de assumir uma agenda na área econômica e concluiu que o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff sequer começou. “O governo não diz qual sua agenda para a economia. Precisa assumir sua ação. O governo neste segundo mandato não começou”, declarou.

Aos jornalistas, Cunha defendeu o projeto que trata da remuneração do FGTS e disse que a proposta não tem impacto sobre o gasto público. Ele ressaltou que não tem histórico de apoiar “causas que comprometam as contas públicas”. Sobre a proposta de reformulação do PIS/Cofins, o peemedebista deu um recado ao governo: “se houver aumento de carga tributária não vai passar”.

Jornal Midiamax