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Advogados estariam mais propensos ao suicídio do que não juristas, confirma estudo

Na categoria profissional, a depressão é a causa mais comum desse tipo de morte

Midiamax Publicado em 01/04/2015, às 07h25

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Na categoria profissional, a depressão é a causa mais comum desse tipo de morte

Magistrados, promotores, defensores públicos e advogados teriam 3,6 maior propensão ao suicídio do que profissionais que não trabalham como juristas. O indicador é de uma pesquisa realizada pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, órgão vinculado à American Bar Association (ABA).

Diz o estudo, que os profissionais do Direito ocupam ainda o quatro lugar no ranking dos suicidas, ficando atrás dos dentistas, farmacêuticos e médicos, pela ordem de prevalência em tirar a própria vida. A entidade, que encomendou o levantamento, associa a maioria da ocorrência dos suicídios à depressão, ocasionada por estresse.
Kentucky-EUA  a incidência de advogados que tiram a própria vida tem preocupado as autoridades. O presidente da seccional da ABA, fez inclusive questão de julgar como desproporcional a realidade do estado  norte-americano. Um curso de saúde mental será incluído nos programas de educação jurídica continuada obrigatória da entidade. Um dos módulos irá abordar sobre “comportamentos que aumentam o risco de suicídio”.

“Pensam que somos super-homens e super-mulheres. Algumas profissões têm uma alta taxa de estresse, mas poucas se comparam à de advogado, juiz e promotor. Médicos também vivem sob situações de estresse. Mas quando um cirurgião vai fazer uma cirurgia, o hospital não manda um outro médico para tentar matar o paciente”, diz o advogado norte-americano, Dan Lukasik, fundador de um página eletrônica que procura dar assistência sobre o problema, o site ‘Advogados da Depressão’.
A história de Dan é parecida com a de outro advogado, Steve Angel, que após um período depressivo cancelou sua licença profissional da ABA, se tornou um pesquisador jurídico e criou um blog sobre depressão.

Início complicado

De acordo com a presidente da Comissão de Biodireito da Seccional de Mato Grosso do Sul da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a advogada Geovanna Trad, o estresse e o despontamento presente em muitos colegas de profissão estaria ligado quanto à grande concorrência na área, em virtude da saturação do Mercado. Ela afirma que ao longo da carreira soube de diversas tentativas de suicídio de advogados, assunto que também preocupa a realidade regional. Uma das medidas para colaborar com a estabilidade profissional da categoria são as ações da OAB-MS em prol do ‘novo advogado’, com suporte para especialização técnica e colocação de Mercado.

“Um médico recém formado não inicia sua carreira ganhando mal, já o ‘novo advogado’ em grande parte das vezes recebe pouco, alguns menos até que uma empregada doméstica, apesar do estudo, da atualização que exige o Direito e a pressão de um escritório. Não é da noite para o dia que um advogado consegue um patamar confortável de proveito financeiro e até conseguir precisa criar reconhecimento, ser eficiente com os prazos das ações e acima de tudo impecável eticamente. Se a opção for o concurso público a concorrência hoje é também absurda”, diz Geovanna.

Para a presidente da Comissão da OAB-MS, que debate a respeito da preservação da dignidade humana diante do avanço tecnológico da Medicina, a não uniformização das matérias, assim como a insegurança jurídica dos resultados nos tribunais conferem também ao advogado fatores de estresse, em virtude da responsabilidade profissional que lhe é atribuída.
“Uma falha ou um desempenho ruim pode definir nos tribunais a vida de uma pessoa, de uma família ou de uma empresa. O advogado é o representante do Direito do seu cliente, que de acordo com a interpretação das sentenças pode ou não ser reconhecido. Uma situação que no nosso país representa uma instabilidade grande, algo reflexivo no estresse profissional do advogado”, relata.

Jornal Midiamax