Sem Categoria

Desmatamento no Pantanal contribui para redução da população de arara-azul, alerta estudo

Árvores utilizadas pela arara-azul para fazer ninho e para se alimentar estão sumindo do Pantanal; estudo identificou arco do desmatamento.

Gabriel Maymone Publicado em 13/09/2020, às 10h20 - Atualizado em 14/09/2020, às 09h06

Árvore que a arara-azul utiliza para fazer seu ninho está desaparecendo do Pantanal. (Foto: Divulgação)
Árvore que a arara-azul utiliza para fazer seu ninho está desaparecendo do Pantanal. (Foto: Divulgação) - Árvore que a arara-azul utiliza para fazer seu ninho está desaparecendo do Pantanal. (Foto: Divulgação)

Estudo desenvolvido por pesquisadores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em parceria com o Instituto Arara-Azul, mostra que o desmatamento no Pantanal está prejudicando a preservação da arara-azul, um dos maiores símbolos da fauna pantaneira.

Conforme a professora do Instituto de Biologia da UFMS, Letícia Couto Garcia, o problema é a redução da presença de espécies que servem como ninho e alimento dessas aves. É o caso da sterculia apetala, o manduvi, pois “é a espécie escolhida em 90% das vezes pela arara-azul para nidificar, para cavar o buraquinho e fazer seu ninho. Está ocorrendo o declínio populacional dessa espécie e isso provavelmente vai afetar a população das araras-azuis”, explica a pesquisadora.

Além do manduvi, outra espécie essencial para a sobrevivência da arara-azul, a attalea phalerata, palmeira conhecida como acuri, também está sofrendo com o avanço do desmatamento no Pantanal. Enquanto o manduvi é a casa da arara-azul, a acuri é a principal fonte de alimentação da ave. “Cerca de 94% das vezes que ela se alimenta é dos frutos da acuri, a attalea phalerata, que é uma palmeira. Então, a arara-azul é muito dependente dessas duas espécies de vegetais”, destaca Letícia.

arara-azul
Arara-azul se alimenta dos manduvis. (Imagem: divulgação)

Arco do desmatamento

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram também uma publicação recente do doutorado da pesquisadora Angélica Guerra, que detectou um arco do desmatamento.

Segundo a pesquisadora, o arco do desmatamento abrange o corredor da borda leste do Pantanal, que compreende Corumbá, Coxim, Sonora e Rio verde. “A gente tem a população do norte da arara-azul e a população do sul da arara-azul, que é dividida por essa grande região do Paiaguás. Essas duas populações de arara para elas se comunicarem, elas precisam de corredores, ou seja, o corredor da borda leste e o corredor da borda oeste. Mas, o corredor da borda leste está pegando o arco do desmatamento”, alerta.

arara-azul
Pesquisadora Letícia Couto Garcia, da UFMS. (Imagem: Divulgação)

De acordo com Letícia, a borda leste atingida pelo arco do desmatamento compreende as cidades de Corumbá, Coxim, Sonora e Rio Verde. “Ao mesmo tempo essa região é modelo para a ocorrência dessas três espécies, o manduvi, a acuri e a arara-azul. É uma região que tem grande possibilidade de ser desmatada, mas que é importante como corredor biológico dessas duas populações de arara-azul para que elas mantenham sua diversidade genética. A gente deveria então priorizar essas áreas para conservação e para restauração dessa espécie bandeira do Pantanal, que é a arara-azul”, conclui.

Incêndios

A Fazenda São Francisco do Perigara, que faz divisa com o Pantanal de Mato Grosso estado vizinho de Mato Grosso do Sul, já teve 92% de hectares destruídos desde o início desde ano até o mês de agosto. O local é área de preservação e também reserva de ninhos de araras azuis.

Jornal Midiamax