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Por segurança, Charlie Hebdo evita imagens na redação

Cerca de 20 funcionários trabalham na sede do Libération, que é vigiada pela polícia

Midiamax Publicado em 10/01/2015, às 18h53

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Cerca de 20 funcionários trabalham na sede do Libération, que é vigiada pela polícia

Policiais armados vigiam a rua Béranger, no Centro de Paris. Do lado de dentro do prédio cercado por grades está a redação do jornal Libération, onde o recepcionista faz malabarismos para atender a telefonemas simultâneos: “não, para falar com o Charlie Hebdo você precisa mandar um e-mail diretamente para eles”, repete, enquanto cola papéis verdes com pedidos de entrevista em sua mesa, em uma sala lotada de jornalistas do mundo todo.

O trabalho frenético do rapaz foi em vão. Por orientação da polícia, o jornal francês precisou evitar a entrada de pessoas estranhas na sala. A produção de fotografias e vídeos somente será feita pela Agence France Presse (AFP), com objetivo de não expor a estrutura de segurança do local. “Eu adoraria receber a imprensa, mas infelizmente vocês não vão poder mais ficar dentro do prédio”, anunciou o diretor operacionais do Libération, Pierre Fraidenraich.

Cerca de 20 funcionários do Charlie Hebdo trabalham na redação do Libération para fechar a próxima edição, prevista para sair na próxima quarta-feira. O jornal de “sobreviventes”, como está sendo chamada pela equipe, deve ter em torno de 1 milhão de exemplares.

Não é a primeira vez que o ‘Libé’, como é chamado na França, abriga funcionários do Charlie Hebdo. Em 2011, quando a sede do semanário satírico foi alvo de um incêndio, o jornal já havia emprestado sua sede aos colegas. Dessa vez, o jornal Le Monde também ajudou a publicação mandando computadores para a sede do Libération.

O ataque a tiros na redação do Charlie Hebdo deixou 12 mortos na última quarta-feira, entre os quais os cartunistas Charb, Cabu, Tignous e Wolinski. Os irmãos Cherif e Said Kouachi, identificados como autores do atentado a tiros, foram mortos ontem pela polícia francesa.

Templo de canetas
Enquanto os funcionários do Charlie Hebdo trabalham, a praça da République, a poucos metros da redação provisória, virou um templo de canetas depositadas por fãs dos cartunistas mortos na última quarta-feira. No centro da praça, os fundamentos da república francesa – liberdade, igualdade e fraternidade (liberté, egalité et fraternité) – contrastam com os cartazes do ‘Je Suis Charlie’ (Eu sou Charlie) e charges depositadas entre flores.

A partir de amanhã, a praça da République será o início de mais uma grande manifestação de união do povo francês após os atentados desta semana, que deixaram 17 mortos.

Participarão do ato os principais chefes de estado da Europa, entre os quais a chanceler alemã, Angela Merkel, e o premiê britânico, David Cameron.

O cortejo deve passar pela praça da Bastilha, onde a antiga prisão foi destruída pela revolução francesa, até a praça da Nation (Nação).

Atentados, assassinatos, sequestros e perseguições em Paris
A sede da revista Charlie Hebdo, em Paris, foi alvo de um ataque que matou 12 pessoas no dia 7 deste mês. De acordo com testemunhas, dois homens encapuzados invadiram a redação armados de fuzis e, enquanto atiravam nas pessoas que trabalhavam no local, gritaram “vamos vingar o profeta” e Allah akbar (Alá é grande). O semanário já havia sofrido diversas ameaças por publicar charges e caricaturas da figura religiosa de Maomé.

O atentado causou comoção no mundo todo. Manifestações foram organizadas com cartazes escritos “je suis Charlie” (Sou Charlie) e mãos empunhando lápis, o material de trabalho dos quatro cartunistas mortos no episódio.

Cidades da França entraram em alerta máximo para ataque terrorista e 88 mil homens das forças de segurança iniciaram uma caçada aos envolvidos no atentado. Nove pessoas foram presas no dia seguinte. Os irmãos nascidos em Paris e de pais argelinos Cherif Kuachi, 32 anos, e Said Kuachi, de 34, foram identificados como os autores dos disparos. O primeiro já havia sido condenado, em 2008, por ter atuado num grupo que enviava jihadistas ao Iraque.

Na sexta-feira (9), a polícia fechou o cerco após os dois irmãos, que estavam foragidos, roubarem um carro e invadirem uma fábrica na cidade de Dammartin-en-Goële, ao norte de Paris, onde mantiveram um refém. Ao mesmo tempo, no leste de Paris, o casal Hayat Boumediene e Amedy Coulibaly mataram três pessoas em um mercado judaico e fizeram outras dez reféns. Coulibaly, que conheceria um dos irmãos Kuachi, foi identificado pela polícia como o autor dos disparos que mataram uma policial na periferia de Paris no dia anterior.

Jornal Midiamax