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Hamas condena ataque à revista Charlie Hebdo em Paris

Primeiro-ministro israelense associou o Hamas e o Hezbollah a movimentos jihadistas

Midiamax Publicado em 10/01/2015, às 17h38

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Primeiro-ministro israelense associou o Hamas e o Hezbollah a movimentos jihadistas

O movimento islamita palestino Hamas condenou neste sábado o atentado jihadista contra a revista francesa Charlie Hebdo que matou 12 pessoas. “O Hamas condena as agressões contra a revista Charlie Hebdo e insiste no fato de que a diferença de opiniões e de pensamento não pode justificar a morte”, afirma o comunicado oficial escrito em francês.

O movimento responde assim às acusações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que associou o Hamas e o Hezbollah a movimentos jihadistas, notadamente o Estado Islâmico.

“O Hamas condena as tentativas desesperadas do primeiro-ministro israelense de fazer uma ligação entre, de um lado, nosso movimento e a resistência de nosso povo, e, do outro, o terrorismo através do mundo. Essas tentativas infelizes estão condenadas ao fracasso”, afirma o comunicado.

Na véspera, o chefe do Hezbollah xiita libanês também fez uma declaração a respeito da situação, afirmando que os jihadistas que realizam atentados no mundo são mais nocivos para o Islã que as obras que fazem piada com Maomé, sem se referir, no entanto, ao ataque contra a revista Charlie Hebdo em Paris.

“Neste momento, é mais do que nunca necessário falar do profeta devido à conduta de alguns grupos terroristas que reivindicam defender o Islã”, afirmou Hassan Nasrallah, cujo partido xiita combate os movimentos jihadistas sunitas na Síria com o regime de Bashar al-Assad.

“Através de seus atos imundos, violentos e desumanos, estes grupos atentaram contra o profeta e os muçulmanos mais do que fizeram seus inimigos (…) mais que os livros, os filmes e as caricaturas que injuriaram o profeta”, acrescentou o chefe do Hebollah, em um discurso televisivo.

“Os piores atos são os que prejudicaram o profeta em sua história”, prosseguiu Nasrallah.cReferia-se, sobretudo, ao famoso romance de Salman Rushdie, “Os Versos Satânicos”, pelo qual o autor foi alvo de uma fatwa emitida pelo aiatolá Khomeini em 1989, ao vídeo anti-islã “A inocência dos muçulmanos” que provocou violentas manifestações no mundo muçulmano em 2012; e às caricaturas de Maomé publicadas em um jornal dinamarquês em 2005 e republicadas pela revista Charlie Hebdo.

Nasrallah não mencionou ou condenou o ataque contra a Charlie Hebdo. Durante a crise das caricaturas do jornal dinamarquês, o Hezbollah, como muitos partidos islâmicos, condenou os desenhos e convocou manifestações.

Nasrallah se referiu, no entanto, à França ao afirmar que após as atrocidades cometidas pelos jihadistas em Síria, Iraque, Líbano, Paquistão, Afeganistão e Iêmen, “o flagelo alcançou agora os Estados que exportaram (estes extremistas) para nossos países”.

Atentados, assassinatos, sequestros e perseguições em Paris
A sede da revista Charlie Hebdo, em Paris, foi alvo de um ataque que matou 12 pessoas no dia 7 deste mês. De acordo com testemunhas, dois homens encapuzados invadiram a redação armados de fuzis e, enquanto atiravam nas pessoas que trabalhavam no local, gritaram “vamos vingar o profeta” e Allah akbar (Alá é grande). O semanário já havia sofrido diversas ameaças por publicar charges e caricaturas da figura religiosa de Maomé.

O atentado causou comoção no mundo todo. Manifestações foram organizadas com cartazes escritos “je suis Charlie” (Sou Charlie) e mãos empunhando lápis, o material de trabalho dos quatro cartunistas mortos no episódio.

Cidades da França entraram em alerta máximo para ataque terrorista e 88 mil homens das forças de segurança iniciaram uma caçada aos envolvidos no atentado. Nove pessoas foram presas no dia seguinte. Os irmãos nascidos em Paris e de pais argelinos Cherif Kuachi, 32 anos, e Said Kuachi, de 34, foram identificados como os autores dos disparos. O primeiro já havia sido condenado, em 2008, por ter atuado num grupo que enviava jihadistas ao Iraque.

Jornal Midiamax