O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) emitiu parecer contrário à retirada de tornozeleira eletrônica do ex-vereador, Claudinho Serra (PSDB). Ele é acusado de chefiar esquema de corrupção em Sidrolândia, enquanto exercia cargo de secretário de fazenda no município, durante gestão da sua sogra, Vanda Camilo (PP).
Conforme a promotora Bianka M. A. Mendes, os argumentos apresentados pela defesa de Claudinho não são suficientes para embasar a decisão de retirar o equipamento. O político é monitorado eletronicamente desde quando saiu da prisão, no dia 26 de abril de 2024. O prazo inicial era de ficar com a tornozeleira por seis meses, mas a Justiça prorrogou o prazo e Serra se livrará da medida cautelar somente no fim de abril.
No pedido feito à Justiça, Claudinho Serra afirma que retomou a ‘profissão’ de produtor rural e que a tornozeleira dificulta sua atividade, ‘comprometendo seu rendimento’.
O tucano apelou até para fotos alegando que o equipamento estaria provocando ‘lesões’ em sua perna, já que trabalha no campo, sob forte sol. Ainda, usou a derrota da sogra, Vanda Camilo, à reeleição, para dizer que não tem mais ligações com a prefeitura de Sidrolândia.
No entanto, nada foi suficiente para convencer a promotora a ser favorável ao pedido. Sobre o fato de ter que se deslocar 171km para ir à propriedade da família, em Anastácio, a promotora pontuou que é “inerente à escolha da atividade laboral, tal qual ocorre com os demais trabalhadores que necessitam comparecer ao local de desempenho de suas funções“.
Em relação ao fato de a tornozeleira machucar, o MP lançou dúvidas sobre as supostas lesões apresentadas por meio de fotografias anexadas pela defesa de Serra: “Embora o equipamento tenha sido apontado como causa para o edema da fotografia acostada, em verdade, no ponto de encontro com a pele ele se assemelha ao punho de uma calça, ao cabedal de uma botina e ao punho/cano de uma meia. Assim, levando em consideração a atividade laboral informada, que envolve a exposição de Cláudio também a insetos, seria temerário – diante dos elementos estampados – concluir que a lesão é decorrente do equipamento“.
Por fim, ressaltou que “o grupo criminoso contava com ampla influência e poderio econômico, demonstrando a indispensabilidade da medida ao passo em que, embora deflagradas duas fases da Operação Tromper – uma delas inclusive com prisões preventivas decretadas – a organização criminosa manteve sua atuação, reorganizando-se para tanto“.
Agora, o juízo responsável pelo caso irá analisar o pedido e o parecer do MPMS para decidir sobre a tornozeleira do ex-vereador.
Juiz que prorrogou tornozeleira a Claudinho disse que ele ‘causou prejuízo à sociedade’

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Ao prorrogar por mais seis meses o uso de tornozeleira eletrônica a Claudinho Serra, o juiz responsável pelo caso, Fernando Moreira Freitas da Silva, destacou que: “Verificou-se, à primeira vista, que o cometimento dos crimes que violaram o caráter competitivo de inúmeros processos licitatórios, aliado ao desvio de dinheiro público, face à não prestação ou não entrega dos produtos contratados, causou vultuoso dano ao erário, a resultar, necessariamente, em prejuízo de toda a sociedade”, diz trecho da decisão.
Pesou ainda o fato de que, mesmo com a primeira deflagração da Operação Tromper, os crimes continuaram.
No processo, o MPMS havia se manifestado contra a retirada do equipamento e citou que o tucano vive uma dependência de cargos políticos.
Hoje réu por corrupção, sempre atuou diretamente com a cúpula do PSDB com o ex-governador Reinaldo Azambuja e Sérgio de Paula, conforme consta em sua própria biografia: “Em 2016, foi convidado pelo então governador Reinaldo Azambuja para ser um dos coordenadores de campanha dos candidatos do PSDB nos municípios. Também atuou no Governo do Estado, especificamente nos assuntos políticos de Campo Grande, diretamente com o secretário de Articulação Política, Sérgio de Paula”.
Disputou a primeira – e única – eleição em 2020, quando obteve modestos 3.616 votos, ficando só com a 2ª suplência do PSDB. Só assumiu o mandato como vereador após uma sequência de situações. A primeira, com o titular do mandato, João Cesar Mattogrosso, assumindo cargo no governo do Estado. Assim, o 1º suplente, Ademir Santana, foi chamado. Depois, o vereador João Rocha assumiu também um cargo no governo. Então, Claudinho assumiu como suplente em maio de 2023.
Por fim, conseguiu o mandato em definitivo quando Ademir Santana renunciou ao cargo alegando que deixava a vaga para a qual foi eleito para se dedicar à campanha eleitoral do PSDB. Ademir renunciou e entregou a vaga para Claudinho um mês antes da deflagração da Operação Tromper.
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