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Transparência

Corrupção em Sidrolândia: Ex-chefe de licitações diz que provas contra outros réus são robustas

Ex-servidor pediu para tirar tornozeleira, alegando que vende marmitas e faz rifas para pagar contas
Gabriel Maymone -
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Prefeitura de Sidrolândia definiu diárias de até R$ 5.022 para servidores (Alicce Rodrigues, Jornal Midiamax, Arquivo)
Prefeitura de Sidrolândia. (Arquivo, Jornal Midiamax)

O ex-chefe de licitações do município de , Marcus Vinicius Rossettini de Andrade Costa, pediu para a Justiça a retirada da tornozeleira eletrônica. Ele é um dos 23 réus por no município em esquema que seria chefiado pelo ex-secretário municipal de Fazenda – e ex-vereador de -, Claudinho Serra ().

No pedido apresentado ao juiz Fernando Moreira Freitas da Silva, o ex-servidor pede que o magistrado não “receba o mesmo tratamento destinado aos demais réus, em relação aos quais há provas contundentes e robustas que comprovam suas respectivas responsabilidades“.

Para tentar convencer o juiz a retirar o equipamento de monitoramento eletrônico, Marcus alega que não mora mais em Sidrolândia e mudou-se para Campo Grande para “recomeçar sua vida longe de qualquer contexto que pudesse gerar conflitos, suspeitas ou associações indevidas”.

Então, diz que, devido às medidas cautelares, enfrenta dificuldades em pagar as contas. Para isso, precisou recorrer à venda de marmitas e até mesmo de rifas para conseguir arcar com os custos de vida.

Marcus Vinicius, que foi nomeado pela prefeita de Sidrolândia, Vanda Camilo (PP), como chefe de Divisão de Compras e Licitação, já responde a processos por suspeita de corrupção enquanto atuava na SAD (Secretaria de Estado de Administração). Mesmo assim, acabou com o cargo público em Sidrolândia.

Em 2019, Marcus Vinicius foi denunciado pela suspeita na contratação de empresas de limpeza para o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. Ele ainda responde às ações após as denúncias do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Ainda assim, em julho de 2021, Marcus Vinicius foi nomeado por Vanda.

Recentemente, o juiz manteve a tornozeleira a Claudinho Serra, que deverá ser monitorado até abril, ou seja, quando completar um ano da deflagração da 3ª Fase da Operação Tromper, que culminou em sua prisão – por 23 dias.

MP foi contra tirar tornozeleira de ex-pregoeira

Com alegações parecidas com a de Marcus, a ex-pregoeira de Sidrolândia, Ana Cláudia Alves Flores, também tenta se livrar da tornozeleira. Ela alegou que está prestando serviços de organização de eventos para um buffet e o monitoramento eletrônico a impede de pegar serviços em outras cidades ou no período noturno, por exemplo.

Então, a defesa de Ana Cláudia sustentou que a ex-pregoeira precisa trabalhar para sustentar o filho.

No entanto, o MP se manifestou contrário ao pedido.

Outros réus já se livraram do monitoramento

No mês passado, o empresário Ricardo José Rocamora Alves se livrou de usar a tornozeleira. Além dele, empresário Milton Matheus Paiva Matos e Thiago Rodrigues Alves, o ‘Thiago Nanau’ (que fazia ponte do esquema com verbas liberadas pela Agesul), também já estão livres do monitoramento.

Dentre os investigados de operarem o esquema de desvios de dinheiro na prefeitura de Sidrolândia, comandada pelo ex-vereador do PSDB, seis vão continuar com o equipamento até abril, são eles: Claudinho Serra, Carmo Name Júnior, Ana Cláudia Alves Flores, Marcus Vinicius Rossentini de Andrade Costa, Thiago Rodrigues Alves e Ueverton Macedo da Silva (Frescura) – que está preso por compra de votos, mas se sair da prisão deverá utilizar o equipamento.

Esquema de Claudinho Serra causou prejuízos à sociedade, diz juiz

Na decisão em que prorroga o uso da tornozeleira eletrônica a Claudinho Serra e outros cinco réus, o juiz Fernando Moreira Freitas da Silva, de Sidrolândia, ressaltou o fato de que o esquema comandado pelo vereador do PSDB causou muitos prejuízos à sociedade. “Verificou-se, à primeira vista, que o cometimento dos crimes que violaram o caráter competitivo de inúmeros processos licitatórios, aliado ao desvio de dinheiro público, face à não prestação ou não entrega dos produtos contratados, causou vultuoso dano ao erário, a resultar, necessariamente, em prejuízo de toda a sociedade”, diz trecho da decisão.

Ao tentar se livrar da tornozeleira, Claudinho chegou a apontar que exercia emprego lícito de vereador. No entanto, a última sessão a qual participou foi no dia 2 de abril, um dia antes de ser preso. Depois, ficou 23 dias atrás das grades e emendou licenças até o fim do mandato.

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Vereador do PSDB comandou esquema de corrupção em Sidrolândia

O parlamentar é ex-secretário de Fazenda, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia. Está implicado nas investigações da 3ª fase da Operação Tromper, deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao ).

Claudinho Serra e outros 22 viraram réus, em 19 de abril, após o juiz da Vara Criminal da comarca de Sidrolândia, Fernando Moreira Freitas da Silva, aceitar a denúncia apresentada pelo MPMS.

Investigações do Gecoc e delação premiada do ex-servidor Tiago Basso da Silva apontam supostas fraudes em diferentes setores da Prefeitura de Sidrolândia, como no Cemitério Municipal, na Fundação Indígenaabastecimento da frota de veículos e repasses para Serra feitos por empresáriosOs valores variaram de 10% a 30% do valor do contrato, a depender do tipo de “mesada”. 

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