Política / Transparência

Paraguai suspende licitação de ponte e governo de MS pede novo cronograma

Estado quer que país vizinho dê explicações e pelo menos mantenha certame

Adriel Mattos Publicado em 14/04/2021, às 17h25

Ponte ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta
Ponte ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta - Foto: Edemir Rodrigues/Subcom-MS

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benitez, decidiu suspender a licitação para construção da ponte sobre o Rio Paraguai, entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul. O Governo do Estado pediu a revisão do cronograma do certame.

Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (14), o chefe do Executivo anunciou que US$ 30 milhões reservados para as obras serão destinados para a saúde, em meio à pandemia de Covid-19.

“Esses recursos já estarão disponíveis para esse momento em que teremos uma grande demanda de suprimentos médicos e demais despesas que a questão da saúde requeira”, declarou Benitez.

O presidente paraguaio já retirou outros US$ 33 milhões da Itaipu Binacional, estatal administrada em conjunto com o Brasil, também para o combate ao novo coronavírus.

“Vamos reavaliar a continuidade do processo licitatório para a construção da ponte, entre o fim de junho e o início de julho. E se precisarmos usar 100% desses recursos, podemos até adiar a licitação da ponte para o ano que vem”, afirmou.

Revisão

Jaime Verruck, titular da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), já formalizou pedido ao governo paraguaio que mantenha a licitação.

“Primeiro pedimos a manutenção do cronograma, se não for possível que ao menos se mantenha o processo licitatório, alterando o cronograma da obra, mesmo com atraso, pois gera uma preocupação e insegurança sobre as perspectivas do projeto. Esperamos que a diplomacia brasileira faça um trabalho imediato neste sentido”, explicou.

O Governo do Estado demonstrou preocupação com a decisão do país vizinho e vai exigir explicações na Comissão Mista Brasil-Paraguai. “Vamos levar esta posição do Estado à Comissão Mista que trata sobre a obra, no qual fazemos parte. Acredito que a ponte vai sair, até porque ela é a essência da rota bioceânica”, ponderou Verruck.

Jornal Midiamax