Política / Transparência

Nomeada na Segov, ex-chefe de Divisão de Multas está entre investigados em operação

Servidora deixou cargo de chefia no Detran-MS em maio de 2020 para ganhar mais na Segov

Guilherme Cavalcante Publicado em 11/05/2021, às 12h19

Fachada da Segov/Governadoria, onde investigada está lotada após passar 5 anos no Detran-MS
Fachada da Segov/Governadoria, onde investigada está lotada após passar 5 anos no Detran-MS - Foto: Arquivo | Midiamax

Investigada pela corregedoria do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de MS), a servidora Juliana Cardoso Moraes, atualmente nomeada na Segov (Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica), é uma das investigadas no bojo da Operação “Recurso Privilegiado”, deflagrada pelo Gaeco na manhã desta terça-feira (11) contra esquema fraudulento para anular multas de “playboys” mediante pagamento de propina.

Conforme apurado pela reportagem, pelo menos 5 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Campo Grande e um em São Gabriel do Oeste, a cerca de 130km da Capital. Informação preliminar também indica pelo menos uma prisão, mediante flagrante de esquema de falsificação de CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Não houve especificação do local onde a prisão teria sido efetuada e nem do cumprimento dos mandados de busca e apreensão nas duas cidades.

O MPMS (Ministério Público Estadual) confirmou que a operação é continuidade de investigação revelada em reportagem do Jornal Midiamax em junho de 2020, na qual é apurado esquema de corrupção para anular multas de trânsito e ‘salvar’ CNHs (Carteira Nacional de Habilitação) de motoristas. O MPMS também confirmou que a ex-chefe de Divisão de Controle de Autuação e Penalidades de Multas do órgão está entre os investigados.

Juliana foi nomeada ao cargo em janeiro de 2015, no primeiro ano do governo de Reinaldo Azambuja (PSDB), e permaneceu permaneceu no comando da Divisão de Multas até maio de 2020. Ela teve como chefe pelo menos quatro diretores-presidentes do Detran-MS: Gerson Claro (PP), Roberto Hashioka (PSDB), Luiz Carlos Lima e Rudel Trindade. Juliana deixou o cargo no Detran-MS, no qual recebia aproximadamente R$ 4.210,16 líquidos, para o cargo de Direção executiva e assessoramento na Segov, com ganhos de R$ 4.829,71 líquidos.

Na ocasião da reportagem, o Jornal Midiamax havia localizado Juliana Cardoso Moraes, que admitiu a existência das denúncias e apuração na Corregedoria do órgão, mas garantiu que ‘tudo já foi resolvido e arquivado’. Questionada sobre o procedimento no MPMS, ela também confirmou e disse que já chegou a ser ouvida. “Isso foi tudo resolvido. Tem um arquivado e um suspenso porque estava no MP. Até esse do MP, parece que vão arquivar. Já fui ouvida e parece que seria arquivado também, mas como veio a pandemia, ficou tudo parado”, explicou.

A reportagem acionou a assessoria do Detran-MS acerca da investigação. Em nota por e-mail, o órgão afirmou que se inteira da operação e que deverá emitir nota em breve. O Jornal Midiamax publicará o conteúdo tão logo ele for disponibilizado.

Esquema antigo

Esquemas fraudulentos para livrar CNHs (Carteira Nacional de Habilitação) de multas são conhecidos pelas autoridades investigativas em MS. O Jornal Midiamax confirmou junto ao MPMS que a operação desta terça-feira (11) é continuidade de investigação revelada em reportagem de junho de 2020 que  descreve esquema no órgão para "limpar" multas de ‘playboys’, que cometem infrações gravíssimas como exibir manobra perigosa (arrancada brusca, derrapagem ou frenagem com deslizamento ou arrastamento de pneus) e até rachas (disputar corridas).

Em comum, são todas apontadas como gravíssimas no CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e possuem na penalidade, além da multa pesada, a suspensão do direito de dirigir e a apreensão do veículo, geralmente carros de luxo ou camionetes grandes de alta performance. Para anular as multas e se livrar do risco de perder a CNH, os motoristas pagavam de R$ 3 a R$ 5 mil.

Neste esquema, geralmente, a “clientela” tinha alto poder aquisitivo e cometia infrações sempre ligadas a ‘algazarras’ no trânsito em regiões nobres de Campo Grande. Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, os autos de infração aplicados aos motoristas que pagavam propina para o grupo simplesmente ‘sumiam’ do sistema do Detran-MS, ou nem chegavam a ser inseridos.

Jornal Midiamax