Política / Transparência

Genro da líder de Reinaldo na Assembleia teve R$ 71 mil de 'remuneração eventual' em um único mês de 2020

Nivaldo Thiago fugiu após causar acidente com morte no Rio Miranda, foi detido e liberado

Mayara Bueno e Renata Volpe Publicado em 03/05/2021, às 09h34

Nivaldo Thiago Filho de Souza foi identificado pela polícia como autor do acidente
Nivaldo Thiago Filho de Souza foi identificado pela polícia como autor do acidente - (Foto: Reprodução)

Nilvaldo Thiago Filho de Souza, servidor da Casa Civil do Governo de Mato Grosso do Sul suspeito de causar acidente com morte de uma pessoa no Rio Miranda, recebeu R$ 71.263,35 em apenas um mês de 2020. O valor, a título de ‘remuneração eventual’, está na folha de pagamento de outubro passado – mês que antecedeu à votação das eleições.

Segundo apurado, o funcionário é genro da deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), líder do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), na Assembleia Legislativa de MS. No mês seguinte em que recebe o valor acima citado, o servidor é nomeado na Segov (Secretaria de Governo e Gestão Estratégica) em cargo de Direção Superior Especial e Assessoramento, com símbolo DCA-2, segundo consta na edição de 18 de novembro do Diário Oficial do Estado.

O salário em folhas de pagamento anteriores e posteriores a que consta R$ 71 mil foi de R$ 15.888,47 - condizente com o símbolo no qual foi nomeado. O primeiro registro em Diário Oficial de Nivaldo Thiago como funcionário público aparece em 3 de março de 2015 para cargo de Direção Superior e Assessoramento na então Casa Civil.

A reportagem tenta contato com a assessoria e com a própria deputada desde domingo (3). Nesta manhã, foi informado que ela ‘deve’ se posicionar. O Governo de Mato Grosso do Sul também é procurado e, nesta manhã, foi indagado sobre posicionamento e também a respeito da remuneração constatada em outubro passado, se Thiago tem a qualificação para o cargo e quais itens compuseram a alta remuneração naquela ocasião.

Em resposta, o Executivo estadual afirmou que o servidor foi exonerado para participar da campanha eleitoral de 2020 e o salário de R$ 71 mil se trataria de 'acerto contratual'.

Caso

Após a morte do pescador Carlos Américo Duarte, de 59 anos, que ocorreu no sábado (1º), o acidente começou a ser divulgado, mas ainda sem detalhes de nome de envolvido e com informações com 'ares' de sigilo. Thiago não teria documentação necessária para pilotar a embarcação e teria ingerido bebida alcoólica - no fim do domingo, a Polícia Civil confirmou que o autor é genro de parlamentar de Mato Grosso do Sul.

Conforme boletim de ocorrência, o servidor estaria embriagado enquanto conduzia uma lancha, de forma imprudente, no momento em que, numa curva, atingiu a embarcação em que o pescador estava com o filho, no encontro dos rios Aquidauana e Miranda, região conhecida como Touro Morto. O local fica compreendido no município de Miranda, a 168 quilômetros de Campo Grande, onde o caso foi registrado.

De acordo com o relato do filho da vítima, após a colisão, Nivaldo jogou garrafas de bebidas no rio e fugiu em alta velocidade, fato que foi comprovado por uma testemunha. Ele acabou localizado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em uma camionete Hilux na BR-262, com a mulher e os filhos, que também estavam na embarcação.

Apesar de confessar que havia bebido, ele não quis fazer o teste de bafômetro, foi levado para a delegacia e ouvido, mas liberado. Foi apurado então que ele não tem o Arrais, documentação necessária para pilotar a embarcação, mas disse que era apto. Ele responderá pelo homicídio culposo e também por duas lesões corporais culposas, mas o caso segue em investigação. Tanto a Polícia Civil quando a Marinha fazem a perícia do caso.

Segundo a polícia, durante a fuga, a lancha de Nivaldo começou a afundar e a tripulação precisou ser socorrida. Dessa forma, ele sofreu lesão no braço esquerdo. Nesta segunda-feira, a perícia deve iniciar os trabalhos nas embarcações e no local do acidente.

*Matéria editada para acréscimo de informação às 10h06

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