Polícia

Nomeado na Casa Civil do Governo de MS é suspeito de causar acidente com morte no Rio Miranda

Piloto de lancha seria genro de parlamentar e estaria bêbado, segundo testemunhas

Humberto Marques e Renata Portela Publicado em 02/05/2021, às 12h47

Acidente aconteceu em curva do rio Miranda
Acidente aconteceu em curva do rio Miranda - (Reprodução, internet)

A morte de um pescador no sábado (1º) na região conhecida como Touro Morto, no Rio Miranda, em Miranda – a 168 km de Campo Grande – ganhou ares de mistério. O suspeito, identificado como um servidor da Casa Civil do Governo de Mato Grosso do Sul e que seria genro de parlamentar, não tinha documentação necessária para pilotar a embarcação.

A reportagem levantou detalhes sobre a ocorrência, contudo, o nome do autor não foi confirmado pelas autoridades. Informações preliminares ligam a autoria a um servidor comissionado hoje lotado na Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul – nomeado desde 2015, primeiro ano da gestão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), na antiga Casa Civil. Ele ainda teria parentesco com uma parlamentar - a reportagem tentou contato e aguarda retorno.

O acidente

Segundo o delegado Jackson Vale, da Delegacia Regional de Aquidauana, em uma embarcação estava a vítima fatal, identificada por testemunhas como Carlos, o ‘Carlão’, de 55 anos, o piloto e o filho, de aproximadamente 30 anos. Na outra estavam o piloto com a esposa e os dois filhos. O acidente aconteceu por volta das 12h30.

A colisão entre as embarcações ocorreu na curva de cruzamento entre os rios Miranda e Aquidauana. Conforme o delegado, com o impacto o pescador morreu no local e os outros dois ocupantes sofreram ferimentos e foram socorridos. Para a autoridade policial, ainda não há elementos suficientes que apontem de quem foi a culpa do acidente.

Será feita perícia tanto pela Polícia Civil quando pela Marinha. No entanto, o delegado confirmou que o piloto da lancha que acabou encaminhado para a delegacia posteriormente não tem o Arrais, a documentação necessária para pilotar embarcações amadoras. Mesmo assim, alegou ser apto e ter conhecimento.

As duas famílias, de autor e vítima, são de Campo Grande e estavam a passeio no local, sendo que a vítima viajava com um grupo de pescadores e estava hospedada na Pousada Beira-Rio. De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), após o acidente, já por volta das 13h45, equipe foi informada sobre o acidente, sendo que um suspeito teria fugido do local pela BR-262.

Assim, agentes localizaram e abordaram o homem em uma Toyota Hilux, com a esposa e filhos como passageiros. Ele confirmou participação no acidente, mas alegou que estava socorrendo um dos filhos, tendo acionado ambulância de Miranda, que foi ao encontro da família e atendeu a vítima.

O suspeito foi levado até a base da PRF e contou sua versão dos fatos. Ele alega que saiu do rancho em que estava hospedado com a lancha, viu uma embarcação parada e abriu para fazer a curva, quando viu outra embarcação subindo o rio. Com isso, saiu para boreste e a outra embarcação saiu para bombordo, quando aconteceu o acidente. Relato de testemunhas apontam que a embarcação em que o suspeito estava chegou a passar por cima da outra lancha.

Ele ainda disse que depois do acidente conversou com o piloteiro da lancha em que o pescador havia morrido, dizendo que prestaria socorro aos familiares dele e solicitaria socorro às outras vítimas. Convidado a fazer o teste de bafômetro, ele se negou, mas confessou que bebeu 4 garrafas de cerveja de 250 ml, das 8 às 12 horas. Depois, ele foi encaminhado para a delegacia, onde prestou depoimento e foi liberado.

Segundo a polícia, o caso é tratado como homicídio culposo, além das duas lesões corporais culposas. Uma testemunha chegou a relatar que a lancha que o autor pilotava estaria em alta velocidade, mas o caso é investigado.

Procurada, a assessoria do Governo do Estado disse não ter sido informada oficialmente sobre o episódio, que seria apurado ao longo desta segunda-feira (3) a fim de verificar se cabe um posicionamento do órgão – já que o servidor em questão estaria no gozo de atividades particulares, sem relação com o cargo (mesmo diante do sigilo decretado sobre o caso).

Jornal Midiamax