Política / Transparência

Filho de vereadora, adolescente vacinado contra Covid-19 em MS teve idade informada para secretaria

Um dos dois adolescentes vacinados contra Covid-19 em Cassilândia é filho de uma vereadora da cidade. A informação foi confirmada pelo responsável da farmácia onde o adolescente trabalhava. O caso dos ‘fura fila’ na cidade já está sendo investigado pelo MPMS (Ministério Público Estadual). Ao Jornal Midiamax, o responsável pela  farmácia explicou que apenas um […]

Dândara Genelhú Publicado em 24/03/2021, às 17h13 - Atualizado em 25/03/2021, às 11h46

 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação) - (Foto: Divulgação)

Um dos dois adolescentes vacinados contra Covid-19 em Cassilândia é filho de uma vereadora da cidade. A informação foi confirmada pelo responsável da farmácia onde o adolescente trabalhava. O caso dos ‘fura fila’ na cidade já está sendo investigado pelo MPMS (Ministério Público Estadual).

Ao Jornal Midiamax, o responsável pela  farmácia explicou que apenas um dos vacinados de forma irregular eram funcionários da empresa. Ele explica que o menino, de 16 anos, já foi demitido após o caso vir à tona e que rendeu até mesmo visita do Conselho Tutelar no local.

“Até recebemos o Conselho Tutelar, porque não pode trabalhar em farmácia com menos de 18 anos, então agora ele já foi dispensado”, disse. Então, ele lembrou que o estabelecimento contava com uma equipe de 18 pessoas, mas agora passaram a ser 17.

Ele explicou que a vacinação aconteceu e que realmente o garoto é filho de uma vereadora da cidade, conforme já denunciavam moradores da cidade. Mas justifica que o adolescente de 16 anos foi admitido muito antes da vacinação ser iniciada no público de farmacêuticos.

O adolescente teria sido admitido em dezembro de 2020 na farmácia. “Ele entrou na farmácia quando ele estava de férias, bem antes ele já tinha me procurado e dito que queria cursar Farmácia. Pedia desde os 13 anos, mas falei que quando ele tivesse 16 anos poderia me ajudar aqui”, disse o responsável, que também é tio do garoto.

Então, ele destacou que “em dezembro, não falavam nada sobre funcionários de farmácia sendo vacinados”. O responsável explicou que a vacinação ocorreu quando a Secretaria de Saúde do Município solicitou que todas as farmácias fizessem uma lista do quadro de funcionários, para vacinação de acordo com a disponibilidade de doses.

Secretaria sabia da idade

No final de fevereiro foi enviada pela farmácia a relação de nomes da farmácia. “A Secretaria de Saúde pediu uma lista com nomes de todos os funcionários com os dados, com data de nascimento, documentos e nome completo”.

Com isso, ele disse que o adolescente foi chamado normalmente para vacinação. O próprio responsável pelo estabelecimento admitiu que o maior problema é a relação familiar do rapaz. “É que ele é filho dela [vereadora da cidade]”. Porém, destaca que não sabiam que menores de 18 anos não podem trabalhar em farmácias e nem serem vacinados contra Covid-19.

Questionado pelo Jornal Midiamax, sobre a falta de recomendações e estudos da vacina contra Covid-19 em adolescente, o responsável pela farmácia disse que “não sabia”. Mas destacou que “a Secretaria de Saúde Municipal também não tinha ciência disto. Porque foram enviados os documentos e data de nascimento dele e dos outros colaboradores”.

Por fim, o outro adolescente ainda não foi identificado. O caso segue em investigação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Contra indicação

A vacina contra covid aplicada no Brasil são contraindicadas a menores de idades e gestantes, pois não foram testadas nesses grupos.

Então, as vacinas foram testadas em adultos, não em crianças, o que é uma prática para toda vacina nova. A eficácia é feita separadamente em grupos etários, pois  a resposta imunológica não é a mesma.

O Jornal Midiamax não irá identificar o nome da vereadora, da farmácia ou qualquer informação que possa identificar o adolescente. A medida é tomada como preconiza  o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Jornal Midiamax