Política / Transparência

‘Uma coisa só’: Pantanal Cap lavava dinheiro do jogo do bicho, diz Justiça

Lacrada por ordem judicial na quarta-feira (02), a Pantanal Cap, empresa de títulos de capitalização sediada no Itanhangá Park, em Campo Grande, era usada para lavar dinheiro do jogo do bicho. É o que consta na decisão da juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, que determinou o fechamento das atividades no estabelecimento com […]

Renan Nucci Publicado em 03/12/2020, às 18h05 - Atualizado em 04/12/2020, às 09h11

Sede da Pantanal Cap lacrada (Foto: Leonardo de França, Midiamax)
Sede da Pantanal Cap lacrada (Foto: Leonardo de França, Midiamax) - Sede da Pantanal Cap lacrada (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Lacrada por ordem judicial na quarta-feira (02), a Pantanal Cap, empresa de títulos de capitalização sediada no Itanhangá Park, em Campo Grande, era usada para lavar dinheiro do jogo do bicho. É o que consta na decisão da juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, que determinou o fechamento das atividades no estabelecimento com base em informações colhidas no âmbito da Operação Omertà.

Durante a deflagração da Operação Black Cat, quarta fase da Omertà, foi apreendido celular que continha dados sobre exploração de jogos de azar. Por meio de perícia no aparelho, constatou-se que o jogo do bicho era chefiado pelos donos da Pantanal Cap, Jamil Name e Jamil Name Filho, que tinham apoio de Darlene Luiza Borges, a Dada. Ela seria a responsável por gerenciar o funcionamento das bancas do bicho na capital e interior.

Levantamentos feitos pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), apontaram que Pantanal Cap e jogo do bicho ‘eram uma coisa só’. Nas bancas do jogo do bicho eram vendidos cartelas de sorteio da Pantanal Cap e vice-versa.

Jogo do Bicho

Ao todo, foram identificados mais de 200 bicheiros espalhados pela cidade. Os sorteios e pagamentos ocorriam de forma descentralizada e regionalizada em diversos pontos. Para facilitar a logística financeira, eram utilizados “recolhes”, indivíduos que apanhavam os valores das apostas, deixavam os resultados e pagavam os “prêmios”. Todo o procedimento coordenado por Dada, chamada de ‘Patroa’ pelos funcionários.

Consta ainda na decisão da justiça que o jogo do bicho foi informatizado, com máquinas que imprimem o jogo, parecidas com impressoras de cupom fiscal e que tais máquinas foram entregues na Pantanal Cap em seu antigo endereço. “Foi apurado que o jogo do bicho e a Pantanal Cap em verdade se utilizam da mesma estrutura, tanto física como de pessoal, para exploração das atividades. Assim, conclui que o jogo do bicho e o Pantanal Cap são uma só organização, sendo que a Pantanal Cap também serve para ‘lavar’ o dinheiro do jogo do bicho”, lê-se na decisão da magistrada.

Omertà

Nesta quarta-feira foi deflagrada a Operação Arca de Noé, sexta fase da Operação Omertà, que resultou na lacração da Pantanal Cap por envolvimento com a atividade ilegal do jogo do bicho. Foram presas 12 pessoas, ente elas Dada. O procedimento foi resultado de investigações anteriores feitas pelo Garras e Gaeco, desde a prisão de Jamil Name e Jamil Name Filho, por envolvimento com organização criminosa ligada a execuções em Campo Grande. A Pantanal Cap recorreu da decisão do fechamento, mas ainda não obteve êxito.

Jornal Midiamax