Política / Transparência

Peculato na Operação Again será investigado pela Justiça Federal de Dourados

A Justiça Federal de Campo Grande desmembrou o processo de peculato da Operação Again e supostos delitos relativos ao Pregão Eletrônico HUFGD (Hospital Universitário da Federal da Grande Dourados) n. 104/2017 serão analisados pela Justiça Federal de Dourados. A decisão foi publicada no Diário Oficial do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) desta terça-feira […]

Evelin Cáceres Publicado em 15/10/2019, às 09h54 - Atualizado às 13h28

Polícia Federal fez buscas no HU durante a operação no ano passado (Foto: Arquivo Midiamax)
Polícia Federal fez buscas no HU durante a operação no ano passado (Foto: Arquivo Midiamax) - Polícia Federal fez buscas no HU durante a operação no ano passado (Foto: Arquivo Midiamax)

A Justiça Federal de Campo Grande desmembrou o processo de peculato da Operação Again e supostos delitos relativos ao Pregão Eletrônico HUFGD (Hospital Universitário da Federal da Grande Dourados) n. 104/2017 serão analisados pela Justiça Federal de Dourados. A decisão foi publicada no Diário Oficial do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) desta terça-feira (15).

O juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira determinou o encaminhamento da ação ao juiz da cidade mediante ofício com a cópia integral dos autos e deferiu o compartilhamento da ‘grande maioria’ das provas realizadas na Operação Again.

De acordo com as investigações, os médicos Mércule Pedro Paulista Cavalcante e Pablo Augusto de Souza e Figueiredo teriam agido em conjunto entre o período de 18 de janeiro e 4 março de 2016, com ajuda de Klaus de Vasconcelos Rodrigues, Ramon Costa e Costa e Emerson Jansen de Vaconcelos para desvio de R$ 3.494.044,61 em recursos federais para a empresa Amplimed, em direcionamento ilegal de contratação por dispensa de licitação.

Operação Again

Deflagrada em janeiro de 2018, a Operação visou desarticular organização criminosa responsável por fraudes a licitações e desvios de recursos públicos no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian e no Hospital Regional, ambos de Campo Grande.

De acordo com as investigações, o esquema fraudava licitações causando sobrepreço nos produtos adquiridos. A apuração constatou ainda o recebimento de produtos com prazo de validade e qualidade inferiores ao previsto nos contratos. Além disso, há indícios de que os integrantes da organização criminosa desviavam os materiais hospitalares – comprados com a finalidade pública de atender à população – para serem utilizados em clínicas particulares.

A organização criminosa também é investigada por tentar dificultar as fiscalizações da CGU. Até o momento, os desvios ocasionaram um prejuízo de aproximadamente R$ 3,2 milhões, num universo de R$ 6 milhões em contratos analisados.

O esquema contava com o envolvimento de servidores públicos que recebiam vantagens ilícitas das empresas envolvidas nas fraudes a licitações, com ênfase no setor de hemodinâmica (método diagnóstico e terapêutico que usa técnicas invasivas, como o cateterismo, para obtenção de dados acerca de cardiopatias). As propinas pagas eram dissimuladas de diversas formas, tais como pagamentos de viagens e transferências de veículos de alto valor.

Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande (MS), Dourados (MS) e Belém (PA), com a participação de aproximadamente 100 policiais federais e 16 auditores da CGU. Dos investigados, dois tiveram decretada medida cautelar de uso de tornozeleira eletrônica. A operação recebeu o nome de “Again” em alusão ao fato de se tratar de esquema semelhante ao desarticulado pela Operação Sangue Frio, em março de 2013, com novos integrantes.

O médico Mércule Pedro Paulista Cavalcante e o empresário Pablo Augusto de Souza Figueiredo ganharam na Justiça Federal o direito de retirarem as tornozeleiras em dezembro de 2018.

Jornal Midiamax