Política / Transparência

Pavor dos políticos, escutas telefônicas chegam a 590 por mês em MS, diz CNJ

Escutas 'derrubam' esquemas que vão de corrupção a prisão de PMs

Celso Bejarano Publicado em 04/07/2017, às 17h00

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Escutas ‘derrubam’ esquemas que vão de corrupção a prisão de PMs

De janeiro a maio deste ano, somando decisões emitidas pelas justiças Estadual e Federal, é possível afirmar que em Mato Grosso do Sul, por mês, ao menos 593 aparelhos de telefones, contando os fixos e os celulares, têm sido monitorados por força de investigações conduzidas pela Polícia Federal e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), braço forte do Ministério Público Estadual.

Números acima foram revelados ao Jornal Midiamax, com exclusividade, pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e representam atualmente o pavor da maioria dos políticos.

Por meio destas escutas autorizadas, as cortes destronizaram esquemas que vão desde a corrupção, formação de organização criminosa, com supostas participações de políticos graúdos até tráficos de drogas e armas e prisão de policiais que recebem propina.

Na investida da PF, em março deste ano, por exemplo, foram levados para a sede da instituição, em Campo Grande, por meio de mandado coercitivo, ex-secretários estaduais e até o ex-governador de MS (2007-2014) André Puccinelli, do PMDB, que, segundo os investigadores do caso, seria uma espécie de líder do complô que teria causado prejuízo de R$ 150 milhões aos cofres estaduais.

Autoridades da PF, Polícia Civil, Militar, recorrem aos grampos, com frequência maior, há pelo menos uns sete anos. Diálogos tidos como suspeitos têm provocado ruínas avassaladoras, tanto que no Brasil, incluindo MS, políticos mudaram suas estratégias na hora de conversar em reuniões. Nada de telefone.

Há casos em MS que os aparelhos são proibidos em audiências fechadas e alguns políticos nem sequer falam os nomes deles quando acionados, por exemplo, para tratar de uma entrevista.

RELATÓRIO DO CNJ

De 2010 a maio deste ano de 2017, período de sete anos e meio, o número de telefones monitorados em MS por força de determinação judicial, girou em torno de 377, dado menor, em 2014, a 689, por mês, soma maior, em 2011, segundo relatório do CNJ, o qual o Midiamax teve acesso.

O cálculo da instituição inclui pedidos conduzidos pelos ministérios públicos Federal e Estadual e autorizados da Justiça Federal e da Justiça Estadual.

Em maio deste ano, por exemplo, grampos telefônicos contribuíram na investigação da quarta fase da Lama Asfáltica da Polícia Federal. Diálogos captados comprometeram envolvidos numa suposta trama de fraudes de licitações e lavagem de dinheiro.

Durante a quarta fase da operação Lama Asfáltica, da PF, foram levados para a sede da instituição por meio de mandado coercitivo, o ex-governador de MS (2007-2014) André Puccinelli, do PMDB.

O relatório indica que, em 2011, perto de seis anos atrás, foi o período que mais telefones grampeados foram aqui no Estado: 689. Naquele ano, diz o estudo, em maio havia em andamento 836 grampos ativos; em junho, 1.025 e, em julho, 945.

Pavor dos políticos, escutas telefônicas chegam a 590 por mês em MS, diz CNJ

Os militares eram lotados no batalhão de Naviraí. O crime foi revelado, também, por meio do monitoramento telefônico. Operações do Gaeco e da Polícia Federal, todas, contam com o reforço das escutas telefônicas.

Só quem pode determinar uma interceptação telefônica é o Judiciário, por iniciativa, ou, entanto, por solicitação de uma autoridade policial, e também representantes do Ministério Público.

Note os números do relatório do CNJ: em 2010, a média mensal de telefones monitorados, em MS, foi 509; em 2011, 689; em 2012, a média foi de 356; já em 2013, 458, 2014, 377; em 2015, 616 e, no ano passado, 2016, 508. As escutas foram autorizadas pela Justiça Estadual e Justiça Federal.

Jornal Midiamax