Política / Transparência

Bernal cobra R$ 16 milhões de Nelsinho, Mandetta e mais 15 por rombo do Gisa

Ex-prefeito está em Brasília para posse Roberto Jefferson

Ludyney Moura Publicado em 14/04/2016, às 15h26 - Atualizado em 13/07/2020, às 10h52

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Ex-prefeito está em Brasília para posse Roberto Jefferson

A Prefeitura de Campo Grande vai cobrar judicialmente do ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB), dos ex-secretários municipais de saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Leandro Mazina, e outras 14 pessoas, os cerca de R$ 16 milhões que teve de devolver ao Ministério da Saúde pelo investimento no Gisa, software de gestão da saúde que nunca foi implantado na Capital.

“É necessária essa solicitação de ressarcimento. A prefeitura já está pagando esse dinheiro com juros e correção para o Ministério da Saúde”, afirmou Disney Fernandes, secretário municipal de finanças.  

A ação ajuizada ontem, quarta-feira (13), também pediu bloqueio dos bens dos envolvidos para assegurar devolução dos valores aos cofres públicos. Um relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) e uma sindicância da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) basearam o pedido da Procuradoria do Município.

Segundo o secretário, o município paga mensalmente cerca de R$ 200 mil à União, à titulo de ressarcimento. “Certamente é um valor que poderia ser usado em áreas prioritárias. Chega a ser ridículo a prefeitura investir e não conseguir implantar um sistema”, declarou Fernandes.

O valor conveniado com o Ministério da Saúde, em 2010, era de pouco mais de R$ 8,1 milhões. O montante cobrado corrigido pela gestão de Alcides Bernal (PP) é de cerca de R$ 16 milhões que terão quer ser restituídos pelos antigos gestores, caso a Justiça acate o pedido.

“Qualquer sistema não pode passar de dois anos, esse deveria ser concluso no máximo dois anos após assinatura do contrato. O prejuízo causado pela ausência de controle e melhores processo de  automação dos procedimentos da saúde são bem maiores que esses R$ 16 milhões”, revela Disney.

O Gisa, pontua o secretário, que deveria servir de modelo para demais cidades brasileiras, se perdeu, e a prefeitura ainda utiliza um sistema implantado em 1994.

A Prefeitura da Capital está analisando a substituição do atual sistema de controle dos procedimentos de saúde nas unidades de atendimento da rede pública. “Será um investimento menor do que o feito há seis anos”, afirma Disney Fernandes.

Gisa

Nelsinho, Mandetta, atualmente deputado federal, e os demais envolvidos já haviam sido denunciados pelo  MPF (Ministério Público Federal), em fevereiro de 2015, por irregularidades desde a licitação até a implantação do Gisa.

À época, o ex-prefeito apresentou documentos que, segundo ele, comprovavam que o sistema só não foi implantado por problemas na gestão que o sucedeu.  Trad Filho também respondeu na Justiça por irregularidades no serviço de tapa-buraco, e chegou a ter indisponibilizado parte de seus bens por determinação judicial.

Na manhã desta quinta-feira, o ex-prefeito foi procurado para comentar a nova ação judicial pedindo bloqueio de seus bens, mas informou que estava em Brasília (DF) na posse do novo presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, pivô do escândalo do ‘mensalão’. 

Jornal Midiamax